terça-feira, 12 de janeiro de 2016

As primeiras ruas de Belém do Pará



"Cessada a resistência dos índios, saíram os colonos do interior da Praça das Armas e iniciaram o desbravamento da mata. Abriram caminhos. Ao primeiro, que corria paralelo ao mar e que findava no sítio onde o famoso sertanista Bento Maciel Parente edificara a sua casa de moradia, no tempo em que era Capitão-Mor do Pará, chamaram Rua do Norte. Isto em 1621. Pouco depois, foram abertas mais duas ruas: a do espírito Santo e a dos Cavaleiros. Logo a seguir a de S. João, todas paralelas à do Norte. Desenvolvendo-se a colônia em direção ao centro, foram rasgadas, mais tarde, os caminhos transversais, chamados da Residência da Atalaia e Barroca. A rua de S. Vicente, no bairro da Campina, foi aberta em 1676.
Antes de findar o século XVIII, Belém estava dividida em duas freguesias: a da Sé e a de Santana. A primeira era a mais antiga e compreendia o bairro da Cidade Velha, que vinha da era remota da fundação.  A segunda havia sido criada em 1727, situando-se no bairro novo da Campina, que teve por matriz, logo nos primeiros tempos, a Igreja do Rosário. Servia de divisa aos dois bairros a antiga rua de S. Mateus, hoje Travessa Padre Eutíquio.
As ruas eram estreitas e mal alinhadas, tendo os nomes assinalados nas esquinas com “uma inscrição alva em campo negro”, datando esse uso de 1804, segundo assevera Baena. Em geral os moradores de maior destaque davam nome às ruas em que residiam. E não só os moradores, como os edifícios públicos, as igrejas “ou outra particularidade ocasional ou local”.
Por Ver-o-Peso ficou conhecido, até hoje o trecho onde outrora foi instalado um posto fiscal com esse nome. O Largo do Palácio tira a sua denominação do edifício construído, ao tempo da colônia, para residência dos governadores. Também o Largo da Pólvora é uma tradição do estabelecimento, que ali existiu, para depósito desse inflamável. É hoje a Praça da República. Já foi também a de Pedro II, mas nunca deixou de ser o Largo da Pólvora, conhecido e apreciado pelas suas frondosas e confortadoras mangueiras".

Ernesto Cruz
Belém: aspectos geo-sociais do município. 1945.v. 1, p. 36-37.
 
 
 
 
Trecho da Praça da República no início do Sec. XX.
 Antônio José de Lemos. O Município de Belém. 1904.
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna (MPEG)
 


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