quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Orquídeas preciosas


"[...]. Ergueu-se e apanhou a flor. Quanto valeria aquilo em Portugal? E a mata estava cheinha delas! Eram orquídeas preciosas, de recorte bizarro e cores surpreendentes, cataléas de pétalas tersas de lírio, que tinham algo de sexo virgem e fascinavam como uma ilusão. Parasitárias, as raízes que lhes davam vida prendia-se, como tentáculos, a caules de seiva rica e nunca mais desfaziam o abraço. E o drama não era único. Metade da selva vive da outra metade, como se a terra não bastasse para o império vegetal e fosse necessário sugar as árvores que chegaram primeiro. Não havia ramagem que não alimentasse, com o próprio sangue, o seu parasita - as grinaldas estranhas que a envolviam. O apuiseiro de vasta bibliografia, levava mais longe o seu despotismo: a princípio, era semente anônima, pousada numa forquilha; depois, raiz bamboleante e humilde, procurando, a medo, a terra distante e, por fim, devorava toda a árvore, até ficar sozinho. Na sua mudez, aquele mundo vegetal tinha ferocidades insuspeitadas, tiranias inconfessáveis e cruéis egoísmos. Viver! Viver, à sua custa ou à custa de outrem, era a ânsia de todo o ramo, de toda a folha, por mais despersonalizada que se apresentasse aos olhos de cada um". Ferreira de Castro (1898-1974). A Selva. 2. ed. 1937, p. 175-176.
 
 
 
 
Cattleya violacea.
Ilustração de Margareth Mee (1909-1988)


sábado, 24 de setembro de 2016

"Se eu soubesse cantar, cantaria a banana..."


"Santa Maria de Belém ficava a alguns quilômetros do delta do rio Pará. Belém (não Pará, porque Grão-Pará era o nome do estado, não uma cidade) tinha, vista à distância, um aspecto notável. Era imprensada pela mata, dramático fundo de quadro para aquela congérie de edifícios brancos com seus telhados vermelhos. Spruce  desembarcou no cais; "um tanto parado", opinou ele a respeito. Andou pela esplanada  sombreada por mangueiras e figueiras malditas, passou pelos prédios de dois andares, por soldados ociosos carregando negligentemente suas carabinas. [...]. Um esplêndido papagaio vermelho e verde soltava seu grito estridente e rouco ao sol poente. [...].
Em 1849 grandes esperanças  se nutriam a respeito de Belém. A cidade era o entreposto do Amazonas e com toda a probabilidade se tornaria um vasto empório para o escoamento da riqueza da grande bacia. Enquanto Spruce colhia plantas que ornavam a cidade, já se comentava a respeito daquilo que o barco a vapor iria fazer para o Brasil. Falava-se na construção de uma estrada de ferro. Tanto os Estados Unidos da América como a Grã-Bretanha se empenhavam para que o Amazonas fosse aberto ao comércio mundial. [...].
Todos esses comentários pouca impressão fizeram em Richard Spruce. Ele tinha suas plantas para colecionar e toda a natureza estava aberta para ele. Apanhava as flores alegres das vilas escondidas entre mamoeiros, mangueiras, palmeiras e mimosas. Enchia suas prensas de plantas com todas as novidades botânicas que lhe davam nos olhos, e seu estômago com as iguarias brasileiras para ele até então estranhas e exóticas. Apreciava bananas, que vinham do mercado em pencas doiradas, principalmente bananas fritas na gordura, esmagadas e com açúcar. Dessa surpreendente prova de fecundidade da natureza ele podia dizer, como o seu compatriota Tomlinson: "Se eu soubesse cantar, cantaria a banana... A pacova brota para o alto com uma haste abundante, e a fonte volta em largos  pendões ondulantes, espalhando-se por fora, afinando nas pontas quando perde o impulso. Não pode ser velho um mundo em que medra uma planta assim. É uma prova certa da vitalidade da terra. Contemplando-a, ninguém  havia de pensar que é longo o processo de desenvolvimento, uma questão de meses e de dificuldades naturais. A banana é uma resposta imediata e alegre dada ao sol. As nervuras das folhas, possantes mas clásticas, que ficam  suspensas em arcos imponentes, as amplas superfícies de uma substância verde translúcida... É sólida e suculenta, embora a sua ascensão seja tão aérea e sua forma seja um prazer para a vista. Não há verde igual ao das suas folhas, exceto o do mar". Victor W. von Hagen (1908-1985). A América do Sul os chamava. s.d. p. 261-263.
 
 
 
Banana.
Botany Libraries. Harvard Univerty


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Museu Goeldi publica nova edição do seu Boletim de Ciências Humanas


Museu Goeldi publica nova edição do seu Boletim de Ciências Humanas
 
O segundo número de 2016 trata das relações de grupos humanos com a natureza e a tecnologia
 
Está no ar a nova edição do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - Ciências Humanas, do quadrimestre maio-agosto de 2016. É o segundo número da fase totalmente eletrônica de um dos periódicos científicos mais antigos do Brasil, cujo conteúdo pode ser acessado em site próprio e “folheado” no Issuu. A edição trata da relação entre as pessoas e a natureza, focando principalmente no uso de recursos naturais. 
A maioria dos artigos trata da pesca, discutida a partir do Amapá, na Amazônia, e de águas sergipanas e pernambucanas, do Nordeste brasileiro. São abordagens plurais sobre um mesmo ofício, que abarcam inclusive a perspectiva feminina, muitas vezes invisibilizada quando o assunto é pescaria. Tratada principalmente como meio de sobrevivência, a pesca é abordada também como meio de convivência, entre homens, mulheres e animais, em relações marcadas inclusive pela tecnologia.
Pesca e vida – A convivência é tema do artigo “Perspectivas do trabalho feminino na pesca artesanal: particularidades da comunidade Ilha do Beto, Sergipe, Brasil”, onde Mary Martins e Ronaldo Alvim discutem o “saber-fazer” de mulheres que conhecem tanto quanto – ou até mais que – os homens no quesito pescaria. Situação singular em um país onde esse “saber-fazer” pesqueiro é dominado por homens.
"Pescados, pescarias e pescadores: notas etnográficas sobre processos ecossociais”, de Cristiano Ramalho, mostra a interação entre homens, meio ambiente e tecnologia na caracterização da pesca e na definição do pescador. É em função dessa simbiose entre homem, mar e ferramentas que o autor define a pesca como um processo “ecossocial”, marcado também por relações de poder.
Já em “Pesca do Apaiari, Astronotus ocellatus (Agassiz, 1831), e perfil socioeconômico dos pescadores artesanais de uma região da Amazônia Brasileira”, Márcia Daaddy e coautores traçam o perfil de pescadores do interior do Amapá, que vivem da pesca do apaiari, espécie que os alimenta e provê o sustento, graças à comercialização. A pesca, então, é fonte de subsistência para essas populações.
Subsistência – “Mobilidade, subsistência e apropriação do ambiente: contribuições da zooarqueologia sobre o Sambaqui do Bacanga, São Luís, Maranhão”, de Arkley Bandeira e coautores, analisa os padrões de mobilidade humana a partir dos modelos de subsistência e de apropriação do meio ambiente por populações pretéritas. Para tanto, identifica vestígios de animais que compunham a dieta desses grupos nos sambaquis do litoral maranhense, particularmente o do Bacanga.
Marie Fleury também discute subsistência em Agriculture itinérante sur brûlis (AIB) et plantes cultivées sur le haut Maroni: étude comparée chez les Aluku et les Wayana em Guyane Française. O texto apresenta análise de práticas de cultivo entre as sociedades Maroons, da Guiana Francesa, produzindo conhecimento sobre a subsistência na fronteira com o Norte Brasileiro. 
A relação entre pessoas e natureza também aparece em uma perspectiva estética, com a apropriação da pedra para produção de adornos corporais, cuja comercialização permitiu o contato com outros grupos humanos. Eis o assunto do artigo “Adornos corporais em Carajás: a produção de contas líticas em uma perspectiva regional”, de Catarina Falci e Maria Jacqueline Rodet, no qual as autoras apontam evidências da existência de uma cadeia produtiva desses elementos no início do período conhecido como “Nossa Era”.
Rural e urbano – A dicotomia entre rural e urbano é problematizada por Júlia Côrtes e Álvaro D’Antona em “Fronteira agrícola na Amazônia contemporânea: repensando o paradigma a partir da mobilidade da população de Santarém – PA”. Os autores concluem que a chegada do agronegócio alterou a dinâmica demográfica da região de Santarém, marcada não apenas pelo êxodo rural, mas também pelo retorno de emigrantes devido a questões como relações familiares e identidades junto ao lugar.
O rural e o urbano também são o pano de fundo para o artigo “Belém e o mundo natural: olhares de viajantes sobre plantas e animais na urbe amazônica (1840-1860)”. Luciano Lima mostra o caso dos viajantes europeus que desembarcaram em Belém não apenas para descansar ou, a partir dessa cidade, se deslocar para a Floresta Amazônica, mas para estudar as várias espécies de animais e plantas encontradas na própria urbe.
Também consta da edição um olhar antropológico sobre um herbário, enxergando-o para além do seu patrimônio material, como espaço de trocas e de sociabilidades. Trata-se do texto “Memória social e patrimônio cultural: a transmissão de práticas científicas em um herbário brasileiro”, de Sonia Piccinini e coautores. O novo número encerra com a resenha de Sabine Reiter para o livro “Huni kuin hiwepaunibuki: a história dos caxinauás por eles mesmos”, conjunto de texto em caxinauá, português e espanhol sobre a etnia Caxinauá, habitante da fronteira Brasil – Peru.  
Mudanças editoriais – O número atual marca a renovação do Conselho Científico e do Corpo de Editores Associados do periódico. O processo editorial passou à condução de Jimena Felipe Beltrão, atual editora científica do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, em sucessão a Hein van der Voort.
Texto: Antonio Fausto, Núcleo Editorial/MPEG
 
 
 
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Dois tucanos curiosos


"Na primeira noite, penduramos nossas redes nas árvores que rodeavam um lago encantado. Eu não pude dormir porque prestava atenção aos sons mágicos da floresta adormecida. Somente as árvores dormiam, pois o lago estava acordado, borbulhante de peixes que saltitavam, enquanto o coral de sapos intrometia-se no lamento triste dos pássaros noturnos.
Passamos nossos dias na floresta assimilando a beleza das árvores frondosas e das criaturas que viviam sob suas copas. Uma aranha marrom e peluda que se alimenta de pássaros agarrou-se ao ronco da árvore na qual eu estava encostada; um camaleão com o papo do tamanho de uma bola laranja lutava para engolir um bicho-folha tão grande e verde quanto ele próprio; dois tucanos curiosos, pousados em um galho, acompanhavam nossos gestos, com divertido interesse, enquanto lutávamos para alcançar um broto de orquídea branca que foi desalojado pelo temporal da noite anterior, ficando embaraçado em um cipó. [...]". Margaret Mee (1909-1988). Flores da floresta amazônica: a arte botânica de Margaret Mee. 2. ed. 2010, p 14.
 
 
 
Tucanos
 John Gould (1804-1881).
A Monograph of The Ramphastidae or faimily of toucans.  2. ed. 1992.
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna - Museu Goeldi
 



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

As marrequinhas em revoada


"[...]. O guincho da gaivota... é  sempre decorrente dum susto. Quando alguém se lhe acerca da ninhada posta nas praias, cuja eclosão sob a luz do sol vigia, o grito materno ecoa no ar, agredindo mesmo o desavisado que lhe toque na postura. As marrequinhas  (Dendrocygna discolor) também, debaixo das noites escuras e principalmente chuvosas, advertem o navegante, numa revoada coletiva que elas deslizam na corrente sobre um tronco de pau. O grito da marreca pela proa do  navio indica, pois, uma árvore flutuante. Isto determina o sustamento da marcha dos vapores na rede hidrográfica da bacia amazônica". Raimundo Morais (1872-1941). O homem do Pacoval. s.d., p. 247.
 
 
Marrecas.
Augusto Ruschi. Aves do Brasil. v. 2, 1986.
Ilustrações de Etienne e Yvone Demonte


domingo, 11 de setembro de 2016

Esse complexo mundo vegetal...


".[...]. Contudo, não serão apenas os cipós que concorrerão para o fausto da floresta amazônica. este dependerá também do prodigioso número de epífitas que abarcam troncos, cravejam ramos e afestoam galhos. Algumas, como o apuizeiro, revelam-se implacáveis algozes das suas vítimas; outras, verdadeiramente inofensivas, fazem-se mesmo magnânimas, recompensando com uma floração esplêndida o bom gasalhado que lhe deram as companheiras, o que acontece com a linda cebola-brava e com quase todas as orquídeas. Mas ainda a legião das Aráceas e Bromeliáceas, aquelas servindo-se do raizame aéreo para mandar amarras para todos os lados estas abrindo rosaças de verdes crus e vermelhos vivos na forquilha dos troncos vetustos, que também disfarçam as suas rugas sob a policromia de fetos, fungos, algas, musgos e líquens.
E é tal a profusão desses hóspedes que só  num exemplar de grande árvore já se contam oitocentas espécies de outras plantas. Schomburgk também colecionou quatorze orquídeas diferentes povoando um único tronco.
Todo esse complexo mundo vegetal, toda essa falange de batalhadores aparentemente imóveis, vive numa perpétua luta, num continuado esforço, buscando escapulir à semi-obscuridade do sobosque para alcançar um lugarzinho ao sol, uma clareira de céu aberto, lá, bem no alto, já no zimbório verde que os triunfadores de maior hausto vão formar com as suas copas.". Gastão Cruls (1888-1959). Hileia amazônica. 2. ed. 1955, p 15-16.
 
 
 
 Cattleya virginalis Linden & André .
Lindenia iconographie de orchidées. v. 3, 1887. BHL.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Imperial Arsenal de Marinha em Belém do Grão-Pará


"A nordeste uma ponta das florestas do continente projeta-se, logo abaixo da embocadura do Guamá, no Rio Pará, sobre a qual se estende a cidade de Nossa Senhora de Belém, [...]. Do ancoradouro vê-se no ângulo agudo na direção do Guamá, erguer-se das águas uma alcantilada colina coroada por um grupo composto de altos edifícios que as altas torres da catedral sobrepujam. Daí por diante a cidade bastante vistosa estende-se por mais um quarto de milha pela margem plana de rio acima, até extremar-se novamente num ângulo obtuso com as florestas da terra firme.
Um pouco acima da cidade fica o Imperial Arsenal de Marinha, onde vimos uma fragata, cujo cavername, embora estivesse no estaleiro havia já dezessete anos, ainda não estava revestido. Deste estabelecimento - infelizmente muito pouco importante, não obstante estar melhor colocado do que em nenhum outro ponto da terra, pois que nem um milênio se acabará aqui a madeira de construção - segue uma magnífica aleia de umbrosas mangueiras, entre dois canais por trás da cidade, através de campos atravessados por numerosos fossos alimentados pelas águas do preamar. Na outra extremidade desta belíssima avenida fica uma pequena praça livre com uma igreja, ao lado da qual vi erguerem-se no ar as primeiras palmeiras-leque (Miriti Mauritia flexuosa). [...]". Príncipe Adalberto da Prússia (1811-1873). Brasil: Amazônia-Xingu. 2002, p 214-215.
 
 
Estrada do Arsenal de Marinha.
 Pintura de Joseph Leon Righini (1820-1884)


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Os troncos caídos começam a impedir nossa passagem


"Voltamos a empurrar as montarias sobre as rochas dos rápidos. Um pouco a montante, deparamos com outro pequeno travessão, transpondo-o pela brecha central. O rio aqui não passa de um riacho. Ainda há castanheiros nas margens, mas agora já se tornam mais raros.
Os troncos caídos começam a impedir a nossa passagem. Para transpô-los, temos que carregar as montarias, passando-as por cima deles. Quando elas são repostas na água, estão de tal modo descalafetadas que se encheriam em poucos minutos, se não tivéssemos o trabalho de embuchar rapidamente os orifícios maiores
E os "secos" vão-se sucedendo, apresentando, em determinados trechos, nada mais do que 20 centímetros de profundidade. Frequentemente somos obrigados a transportar nossa pequena carga por terra.
As montarias vazias são arrastadas e empurradas à mão pelos homens, que seguem pela incerta rota do riacho, no fundo do qual passeiam as raias venenosas". Henri Coudreau (1855-1899). Viagem a Itaboca e ao Itacaiunas. 1980, p. 76.
 
 
 
 Dr. J. Crevaux (1847-1882).  Voyages dans L´Amerique du Sud. 1833 
Desenho de E. Riou (1833-1900).
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna - Museu Goeldi


sábado, 3 de setembro de 2016

O nascer do sol refletido pelas águas do rio


"Não impressiona menos o nascer do sol, por detrás da mata, refletido pelas águas do rio. Águas negras, brilhantes, mansas e quase impenetráveis pela nossa visão.
Neste caso, é a madrugada fria, calma, com a neblina abundante a sair por entre a vegetação. Por cima, o céu estrelado mostrando-nos a boiuçu, as Três Marias, o Cruzeiro do Sul, e uma infinidade de outras estrelas e constelações. A lua em crescente, muito pálida a lançar sua luz sobre a imensidão desabitada. No fundo, para o nascente, um foco vermelho que se agiganta a cada instante. Daí a mais alguns minutos, o astro-rei que sai com todo seu esplendor, aquecendo e dando vida à natureza. A faina começa com o chilrear dos pássaros, os roncos possantes dos bugios, os bacuraus procurando alimento. São as araras ou papagaios que passam, um tucano que chama o companheiro ou um boto que aparece na superfície. Aos poucos, aquela mata surda enche-se de sons e a luta pela vida atinge talvez o seu máximo para regredir novamente por algumas horas, tornar a aumentar com o advento da tarde e mergulhar outra vez no repouso diário das madrugadas. Quisera eu que todos os brasileiros pudessem contemplar estes quadros e notar como tudo é tão natural, tão diferente das lendas e superstições que nos contaram quando crianças ou que ainda correm de boca em boca em nossos dias. [...]". José Cândido de M. Carvalho (1914-1989). Notas de viagem ao Rio Negro. Publicações Avulsas do Museu Nacional. 1952. p. 90-91.
 
 
 
Paisagem amazônica
Pintura de Edivaldo Barbosa de Souza