segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Dois tucanos curiosos


"Na primeira noite, penduramos nossas redes nas árvores que rodeavam um lago encantado. Eu não pude dormir porque prestava atenção aos sons mágicos da floresta adormecida. Somente as árvores dormiam, pois o lago estava acordado, borbulhante de peixes que saltitavam, enquanto o coral de sapos intrometia-se no lamento triste dos pássaros noturnos.
Passamos nossos dias na floresta assimilando a beleza das árvores frondosas e das criaturas que viviam sob suas copas. Uma aranha marrom e peluda que se alimenta de pássaros agarrou-se ao ronco da árvore na qual eu estava encostada; um camaleão com o papo do tamanho de uma bola laranja lutava para engolir um bicho-folha tão grande e verde quanto ele próprio; dois tucanos curiosos, pousados em um galho, acompanhavam nossos gestos, com divertido interesse, enquanto lutávamos para alcançar um broto de orquídea branca que foi desalojado pelo temporal da noite anterior, ficando embaraçado em um cipó. [...]". Margaret Mee (1909-1988). Flores da floresta amazônica: a arte botânica de Margaret Mee. 2. ed. 2010, p 14.
 
 
 
Tucanos
 John Gould (1804-1881).
A Monograph of The Ramphastidae or faimily of toucans.  2. ed. 1992.
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna - Museu Goeldi
 



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