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Mostrando postagens de junho, 2021

O nosso mundo vegetal

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         [...]. O nosso mundo vegetal, por via de regra dissociado, congrega-se em família quando se trata daqueles destinados à pasta de papel e que se chamam aninga e embaúba.           A primeira, aninga ( Montrichardia arborescens Schott. Araceas) é uma qualidade de arum gigante, de caule escuro, fusiforme, alto de 4 metros, sem galhos, com um tufo verde de folhas em coração no tope. Medrando em sociedade, forma verdadeiras paliçadas no beiço dos taludes e ravinas! Constitui renques de estacas vivas destinados pela natureza a reter o plasma telúrico que levantará o colo da terra. Suas fibras claras e longas como crina de cavalo, depois de maceradas e submetidas à lavagem química, dão folhas sedosas, finas e belas de papel.           Entretanto, a árvore por excelência no assunto é a embaubeira ( Cecropia , Moracea), da qual se contam mais de dez tipos na planície, e, em vez do tijuco onde prolifera a aninga, vive na meia lua das praias, sobre o rebordo da areia fina formando cicl

Infinitas mudanças de arranjos florestais

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            Olhando de cima para essas florestas, e outras similares nas províncias adjacentes, elas nos parecem todas iguais, porém cada seção delas quando examinada de perto, é diferente de sua vizinha. Há miríades de árvores, arbustos, videiras e palmeiras, fetos, parasitas e orquídeas, cuja quantidade e variedade produzem infinitas mudanças de arranjos e consequentemente, a descrição mais minunciosamente detalhada de um atalho ou do interior de qualquer parte da floresta, variava totalmente de outra a doze jardas de distância. Todavia, observando-se da altura o conjunto completo, vê-se uma quantidade e variedade de árvores que, por sua cor conspícua de folha, ou flor, ou pela forma, absorvem os detalhes menos distintos; por exemplo, a esguia e alta imbaúba de tronco oco, com suas grandes folhas peltadas, verde-claras por cima e branco-prata na parte de baixo, é um dos aspectos mais salientes, especialmente quando a brisa agita suas folhas em lampejos de verde e prata; depois há as

As saborosas castanhas

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         [...]. Quem não ouviu já falar do "Jequitibá", da "Castanheira do Pará" ou ainda do "Mangue Vermelho" ou da "Amendoeira"? Qual o poeta de nossa terra que não se viu já tentado a lhes dedicar poesias? Elas são tipos bem conhecidos das nossas florestas. Exemplos que os leigos buscam quando querem mostrar que conhecem as selvas e seus componentes. "Jequitibá", árvore altaneira e soberba, serve bem para nós do sul como exemplo da grandiosidade das nossas florestas, mas no norte ela é sobrepujada pelas "Castanheiras" de saborosas castanhas, conhecidas como do Pará. Os seus grandes pixídios, que não se abrem como os das "Sapucaias", quando despencar dos ramos, roçam os galhos das árvores menores em que tocam e enterram-se no solo úmido produzindo estouros que alarmam aos viajantes que nunca os viram. Do rio em que se viaja, podem as Castanheiras do Pará ser apontadas, pois sobrepujam as outras árvores, elevam-se a

Clusias e suas luzentes folhas ovais

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     [...] Olhando-se para cima, com as suas folhagens curiosamente espalhadas, em violento contraste com o céu claro, é este um dos admiráveis característicos das florestas tropicais, já repetidas vezes referido por Humboldt.            Muitas das gigantescas árvores da floresta têm folhas tão delicadas, como as trementes Mimosas , pertencendo, como estas mesmas, à numerosa família das Leguminosas , ao passo que as Cecrópias com suas enormes folhas palmadas, e as Clusias , com as suas luzentes folhas ovais, e cem outras formas intermédias, proporcionam bastante variedade.      E a intensa luz solar, por cima das suas copas, tudo banhando, enquanto as mais densas sombras reinam por baixo, aumenta a grandeza e a solenidade do cenário.      As flores eram raras e esparsas, algumas pequenas orquídeas, ervas rasteiras, aqui e ali um arbusto fluorescente, foi tudo que vimos ao lado do caminho, quando íamos passando. FONTE: WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e rio Negro . Brasíli

Tão maravilhoso espetáculo!

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            [...]. Há auroras e ocasos do sol de um colorido inesquecível: a contemplação das verdes frondes em que se refletem os raios purpúreos do astro-rei; o cântico dos pássaros; a brisa suave que acompanha estes fenômenos, do nascer e do por do sol são impressões que jamais se apagam da memória de quem tenha tido o privilégio de desfrutar tão maravilhoso espetáculo! Não é indispensável que o ente humano possua temperamento poético, para sentir-se enamorado de tamanha beleza! São, na verdade, difíceis de olvidar estas tardes serenas em que navegamos a favor da corrente (à bubuia) pelo majestoso Guaporé, sem remar, ou remando suavemente, em frágeis igarités, para contemplar suas formosas margens, quase impossíveis de serem pintadas por artistas de reconhecida competência na difícil arte de combinar as cores, tal a quantidade de lírios, de flores raras e de multicores orquídeas, que causariam inveja aos botânicos apaixonados. FONTE: PRADO, Eduardo Barros. Eu vi o Amazonas . Rio de