domingo, 30 de abril de 2017

Samambaias de grandes folhas


"Entre os dias 14 e 18 o tempo mostrou-se calamitoso; chegava a chover às vezes doze horas seguidas; não eram, porém, aguaceiros pesados, e sim uma chuva fina e constante, do tipo a que estamos acostumados na Inglaterra. Atracamos em vários pontos - o Pena para fazer os seus negócios e eu para andar pela mata à procura de pássaros e insetos. Num certo lugar deparei com um quadro muito pitoresco: do alto da encosta do barranco coberto de mata fluía um regato através de uma estreita ravina, o qual se despejava lá de cima numa série de pequenas cascatas que iam terminar no vasto rio lá embaixo e eram orladas por uma infinita variedade de lindas plantas. Bananeiras silvestres, curvavam-se sobre a água, e os troncos das árvores vizinhas mostravam-se cobertos de samambaias de grandes folhas, pertencentes ao gênero Lygodium. [...]". Henry Walter Bates (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979. p. 131.



Samambaias
Ilustração de Margaret Plus (1828-1901)




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tarde luminosa na floresta


"Tarde luminosa. A floresta refrescante amenizava o calor do dia. Por cima das frondes verdes pouco densas, o límpido céu azul tropical sem nuvens. Alguns pássaros da floresta chilreavam seu canto sem regra; periquitos ralhavam nos galhos das árvores, ao longo dos quais corriam bandos de macacos com incrível agilidade, enquanto nos galhos mais altos, muitos gaviões se expunham ao sol e passavam os olhos penetrantes por sobre a mata. Pontederáceas floresciam sobre a água escura; cássias e leguminosas doutras espécies formavam matizes azuis e amarelos; uma graciosa asclépia branca e pendurava-se em longos festões até ao rio embaixo, no qual a canoa avançava sempre com algum trabalho por entre os galhos de árvores caídas da margem.
Mas, a selva já se abria; já avistávamos o lago do igarapé, agora mais largo, quando fomos atraídos e presos pelo aspecto duma maravilhosa planta aquática.
De ambos os lados de nossa canoa, 10 a 12 exemplares de Victoria regia ostentavam suas folhas colossais e soberbas flores. [...]". Robert Avé-Lallemant (1812-1884). No Rio Amazonas (1859). 1980. p. 212.




Victoria regia
Ilustração de William Sharp (1803-1875)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ornamentos do Reino Vegetal


"[...]. Fenecidas ao calor dos dias anteriores, as folhas das árvores e as flores vivamente coloridas duma porção de plantas carnosas ostentam toda a sua riqueza, e parecem adquirir nova vida: Dracontium, Caladium, Pothos, Bromélia, Cactos, Epidendrum, Heliconia, Piper e uma infinidade de outras plantas de textura suculenta, que particularmente se desenvolvem em companhia dos fetos sobre as árvores cobertas de musgos , levantam os seus novos rebentos e muitas delas enchem a mata das mais suaves emanações. Refrescados e reanimados, todos esses ornamentos do reino vegetal, entre os quais cumpre colocar as palmeiras, a começar pelas espécies de Cocos, principal enfeite das florestas virgens, adquirem um grau de vigor mais acentuado, quando, após a chuva, os raios do sol lhes fazem sentir sua influência salutar". Maximilian, Príncipe de Wied Neu-Wied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 1958. p. 459.




 Epidendrum paniculatum.
 Lindenia. iconography of orchids v. 1, 1885


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ilhas flutuantes


"Ilhas flutuantes são, antes, jangadas formadas pelo enlaçamento de uma grande quantidade de plantas aquáticas flutuantes que, na época da cheia, são arrancadas, pelo vento, das enseadas dos lagos e das margens dos rios onde elas cresceram, ou se acham encostadas, e, tomando o fio da água, vão descendo o Amazonas.
Estas jangadas que atingem às vezes grandes dimensões, mas pouco emergem à flor d´água, são colhidas, de passagem, pelos galhos de alguma árvore caída no rio com um barranco e também arrastado pela correnteza; são os vultos destas confusas associações vegetais, assim reforçadas e alteadas, que parecem mesmo, ao longe, pequenas ilhas  deslizando água abaixo, uma atrás da outra, em fileira interminável.
A canarana rasteira (Paspalum repens Berg.), ou Pirimembeca, a Canarana de folha miúda (Panicum amplexicaule Rudge), são as ervas que formam a maior parte das ilhas flutuantes, quase sempre orladas por largas folhas de mururé orelha de veado, ou aguapé (Eichhornia azurea Kunth), cujas curtas hastes bolbosas constituem excelentes flutuadores". Paul Le Cointe (1870-1956). O Estado do Pará: a terra, a água e o ar. 1945. p. 222.



Eichhornia azurea e Nymphaea odorata sulfurea.
Revue horticole, 1890.
Biodiversity Heritage Library

domingo, 9 de abril de 2017

A impressionante densidade da mata


"Ao escurecer a umidade era tanta que saía da mata uma densa cerração, como se fosse fumaça de algum incêndio no subosque. As folhas das árvores brilhavam ainda molhadas e o perfume das flores nas margens frequentemente nos atingia. É impressionante a densidade da mata neste trecho do Tiquié, onde ela já é bem mais alta, com árvores de grande porte, hospedando bromélias, orquídeas e aráceas, estas ligadas ao solo por longos e delgados cipós esbranquiçados. Nas margens é extremamente abundante a palmeira jauari, a qual denominei de sentinela da mata, com suas longas raízes elevadas em forma de cone, suas folhas quais bandeiras desfraldadas ao vento. Certos trechos da mata são tão densos que um pássaro teria dificuldade em penetrar ali. Pelo menos, foi isso que aconteceu a um jaó ou macuco que, num grande esforço, atravessou o rio, indo esbarrar com aquela massa verde na margem oposta e caiu de cheio n´água, divertindo aos que assistiram a cena". José Cândido M. Carvalho. Notas de viagem ao Rio Negro. Publicações Avulsas do Museu Nacional, Rio de Janeiro, n. 9, p. 36, 1952.


Bromelia bracteata.( Detalhe).
Sydney Parkinson ilustrações botânicas de espécies brasileiras na expedição de James Cook 1768-769. 2012.