terça-feira, 30 de setembro de 2014

Viajantes: A vegetação aquática.


"Quando saímos da floresta, entramos na imensidão do lago. Mas temos de passar ainda sobre os tapetes das canaranas, ou seguir canais serpenteantes, antes de chegarmos às bacias onde navegaremos sem obstáculos.
Sentimos o alívio de quem se livrasse de um túmulo. Respiramos com delícia o ar puro da madrugada, ainda não permitindo devassar todo o magnífico cenário. Mas sob o equador, a transição das trevas para a luz e vice-versa, é tão rápida, que deixa pasmos as ádvenas de altas ou baixas latitudes. Está ainda escuro. Mas como se fora em um cenário de teatro, vai clareando com rapidez. Os objetos mais próximos, vão ficando nítidos, os mais distantes vão se destacando, delineando-se, os contornos tomando relevo, surgindo límpidas as cores. E quando damos fé, já é dia. O sol espia vermelho como uma boca de fornalha, permitindo-nos entretanto encara-lo, velado pela imperceptível umidade que satura a atmosfera.
A paisagem é grandiosa. Há imensas superfícies livres de vegetação, mas a maior parte do lago é tomada pelas canaranas, essa gramínea de longos e grossos rizomas, pelo manto verde-negro dos aguapés, de flores branco-azuladas, pelos grandes discos verde-bronze das folhas da vitória-régia de flores alvas, enfim, por toda essa vegetação aquática a que os índios denominaram de "periantã". Francisco de Barros Prado. Caçando e pescando por todo o Brasil. 4a. série: Norte, Nordeste, Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré. 1948, p. 192-193.
 
 
 
Vegetação dos lagos.
Curtis's Botanical Magazine, vol. 73, Jan. 1847.


sábado, 27 de setembro de 2014

Viajantes: A vegetação que cobre os troncos!


"[...]. Há ainda outra vegetação que cobre os troncos com suas folhas densas e flores amarelas, brancas ou de um vermelho resplandecente, que tanto embelezam as velhas árvores. Esta vegetação é constituída por espécies das famílias das Aráceas, Bromeliáceas e Orquidáceas. O próprio chão é coberto de espessa camada de ervas e de uma enorme variedade de pequenas plantas, que mergulham suas raízes no humo fértil da mata, formado de tantos restos de plantas em decomposição. O encanto dessa selva imersa em eterna quietude é ainda aumentado pelo vivo brilho das Heliconias purpúreas e douradas, que gostam de reunir-se junto das águas cristalinas brotadas na escuridão da mata". Dr. Hermann Burmeister (1807-1892). Viagem ao Brasil. 1952, p. 60.
 
 
 
Orquídeas e epífitas brasileiras.
Marianne North (1830-1890).
www.kew.org.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Viajantes: Paxiúba, uma das palmeiras mais bonitas da Amazônia!


"Depois do almoço, mostrei desejo de conhecer melhor o riacho, e em vista disso um velho muito cortês e animado, que supus ser um dos vizinhos, ofereceu-se para me servir de guia. Embarcamos numa pequena montaria e percorremos um trecho de uns cinco ou seis quilômetros do riacho, para cima e para baixo. Embora a essa altura eu já estivesse acostumado com a exuberância da vegetação, não pude deixar de ficar maravilhado ao observar aquela região. O riacho tinha cerca de 100 metros de largura, com alguns trechos mais estreitos. Ambas as margens estavam ocultas por trás de altos paredões de verdura, que mostravam aqui e ali uma brecha por onde se podia entrever, sob os arcos formados pelas copas das árvores, as choupanas cobertas de palha dos moradores da região. Dos galhos das altas árvores, que se curvavam por sobre o riacho e às vezes chegavam  até o meio dele, pendiam guirlandas e festões; uma imensa variedade de trepadeiras orlava a beira da água, algumas delas, especialmente Bignonia, exibindo grandes flores vivamente coloridas. A arte não teria conseguido reunir formas vegetais tão belas e tão harmoniosas como a Natureza havia feito ali.
Como sempre, as palmeiras formavam o grupo mais numeroso de árvores mais baixas, embora algumas delas projetassem suas esguias hastes a uma altura de vinte metros ou mais, acenando com o seu penacho de folhas lá no alto do céu. Uma das espécies mais bonitas era a paxiúba (Iriartea exorhiza), que é mais abundante ali do que em qualquer outro lugar. Não se trata de uma das espécies mais altas, pois o seu crescimento máximo não alcança, talvez, mais do que uns doze ou treze metros; as folhas não são tão flexíveis quanto nas outras espécies, nem os folíolos são mais largos, e por causa disso ela não tem a plumosa aparência que algumas palmeiras têm; ainda assim possui um encanto todo especial. Meu guia encostou a canoa na margem, num determinado lugar, para me mostrar as raízes da paxiúba. Essas raízes crescem acima do solo, irradiando-se do tronco alguns metros acima da superfície, dando a impressão de que a árvore se apoia em estacas; nas árvores mais velhas, um homem pode ficar de pé no meio das raízes, com o tronco da árvore começando acima da sua cabeça. Uma das peculiaridades dessa palmeira é que as suas raízes, que se assemelham a varas, são crivadas de grossos espinhos, ao passo que o tronco da árvore é inteiramente liso. [...]". Henry Walter Bates (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979, p. 83-84. 
 
 
 Paxiúbas
A. D. d´Orbigny (1802-1857).
 Voyage dans l´Amérique Méridionale. 1847.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viajantes: A floresta tropical e suas flores.


"Agora, uma palavra sobre as flores. Pudesse um naturalista reproduzir numa pujante descrição toda a alegria das flores, borboletas e aves que tivesse encontrado na bacia amazônica durante um ano de excursões, e sem dúvida iria produzir um trabalho extremamente fascinante. Por outro lado, iria iludir seus leitores, levando-os a crer que mesmo a décima parte dessas belezas pudesse ser contemplada de um só golpe de vista, ou que fosse em visões sucessivas, no espaço de tempo de um dia. Depende muito de se estar num determinado local no exato momento em que ao menos parte delas estivesse prestes a atingir seu máximo estágio de perfeição e que elas aí ocorressem em profusão. Ademais, o efeito nem sempre é o mesmo, uma vez que depende do gosto pessoal do observador. Para o naturalista, o mero fato de se tratar de algo novo e estranho por si só o reveste de uma beleza particular independente de considerações estéticas. No meu caso pessoal, confesso que, embora seja um admirador apaixonado da beleza das formas e cores, e que sinta uma atração quase sensual com relação aos aromas requintados, minhas lembranças mais deleitosas são as dos cenários mais caracterizados pela novidade.
Mas nada dissemos ainda sobre as flores. Sirva de consolo informar que, no caso das árvores amazônicas, as flores costumam chamar tão pouco a atenção, seja por seu tamanho diminuto, seja por sua coloração verde imitando a das folhas, que ninguém, senão um botânico, iria deter-se para contempla-las. Há, sem dúvida, muitas honrosas exceções, mas só alguns anos depois de ter deixado o Pará e transposto o divisor setentrional da bacia amazônica foi que constatei aquilo que já imaginava: que as flores mais deslumbrantes deveriam desabrochar nas árvores mais altas da floresta".
Richard Spruce (1817-1893). Notas de um botânico na Amazônia. 2006, p. 62.
 
 
 

Flores silvestres do Brasil
Pintura de Marinne North (1830-1890).
www.kew.org.

domingo, 21 de setembro de 2014

Viajantes: Sua majestade a Onça-Pintada e os animais da floresta!

"Das raízes das árvores gigantescas surge agora um som suave e melodioso, como se alguém descuidadamente houvesse tocado as cordas de um bandolim. São as rãs musicais. Presas às árvores pela sucção de seus pés, que semelham ventosas, elas emitem sons que parece provir de centenas de pequenos anões a trabalhar numa caverna. Longe, uma rã imita o som do contrabaixo.
Agora todas as criaturas diurnas da selva já saíram de seus esconderijos. Aí vem o enorme tamanduá. Seu focinho comprido e suas enormes patas providas de fortes garras dão-lhe o aspecto de um bicho de pesadelo, desenhado por uma criança. E existe também um pássaro de chapéu-de-sol, o pavão da mata, com o aspecto de uma gralha gigantesca, que se houvesse tornado tropical e que trouxesse, no alto da cabeça, um guarda-sol todo franjado. Enquanto vocês imaginam ser este o mais estranho animal jamais visto, eis que voa um tucano, com um bico enorme, do tamanho do corpo, dando a impressão de ter enfiado o bico verdadeiro num tubo oco, comprido e colorido. Mas não percam tempo com o tucano, pois lá embaixo desfila todo um  bando de quatis, com seus narizes compridos, sempre a cheirar o chão. Atrás deles vem uma vara de porcos  do mato, os catetos de colarinho branco, que têm uma faixa alva em torno da garganta. Mas não se deixem iludir pelos seus pés delicados e por sua aparência mansa. São animais muitíssimos perigosos. É melhor subir a uma árvore, enquanto eles passam. E lá vem um - que será aquilo? Que ruído foi esse tão parecido com o da tosse, que já agora se transformou em rosnar? Que será isso? Reparem no efeito que produziu em todos os animais: os quatis parecem gelados, os porcos do mato, antes tão barulhentos, agora caminham silenciosos. A selva emudeceu. Pesa sobre ela um silêncio de morte. Sabe por que? Lá, mais além, deitada num galho forte, encontra-se uma onça. É sua Majestade a Onça Pintada, o rei da floresta amazônica." Victor W. van Hagen. Animais da América do sul. s.d., p. 44.
 
 
 
Ilustração de Édouard Riou (1833-1900)
J. Creveaux (1847-1882). Voyages dans L´Amérique du sud. 1883.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Viajantes: Os colibris nos recantos sombrios e solitários!


"[...]. O ar estava deliciosamente fresco e fragrante,  e as gotas de orvalho brilhavam ainda sobre as grandes liláceas que cobriam de sua sombra a água clara dos riachos. Sentei-me sobre um bloco de granito e desfrutei alguns instantes vendo passar a voar perto de mim um sem número de insetos e pássaros. Os colibris parecem gostar imensamente destes recantos sombrios e solitários. Sempre que via uma dessas criaturinhas sussurrar em torno de uma flor, escondendo as asas no célebre adejar, lembrava-me da mariposa esfinge, cujos hábitos e movimentos são em muitos aspectos realmente semelhantes". Charles Darwin (1809-1882).Viagem de um naturalista ao redor do mundo. s.d., p. 42-43.
 
 
 
Pintura de  Martin Johnson Heade  (1819-1904).
 Tutt'Art@


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Belém do Grão Pará: Avenida Independência


"Belém é, dentre quase todas as cidades do Brasil, a que mais favoráveis condições reúne para possuir formosas avenidas. Plana de terreno, a nossa capital conta em volta de si, entre o limite do perímetro urbano e os subúrbios, uma zona muito bonita, trilhada de longas, retas e amplas vias públicas. São as antigas estradas, hoje denominadas avenidas, por disposição da Lei no. 261, de 16 de junho de 1900 e as inúmeras travessas perpendiculares que as cortam. [...].
A Avenida Independência atravessa da praça Justo Chermont, antigo largo de Nazareth, à praça Floriano Peixoto (S. Braz) e por ela se faz a comunicação da cidade para o Marco da Légua. Tem de comprimento de 1.248 metros, variando a sua largura de 22 a 27 metros.
Pela Resolução número 37, de 21 de setembro de 1898, o poder legislativo autorizou o Intendente Antônio José de Lemos alargar esta avenida com um acréscimo de 7 metros, apenas para o lado direito, após as necessárias desapropriações". Antônio José de Lemos (1843-1913). O Município de Belém: relatório apresentado ao Conselho Municipal de Belém na sessão de 15 de novembro de 1902. Belém: Typographia de Alfredo Augusto Silva, 1902. p. 168.
 
 
 
Av. Independência (Belém-PA).
Aquarela de Georges Wambach (1901-1965)


domingo, 14 de setembro de 2014

Viajantes: A soberba bananeira!


"[...]. A soberba bananeira (Musa paradisíaca), a qual, conforme diziam todos os livros a respeito, constituía um dos maiores encantos da vegetação tropical, crescia ali com grande viço, suas verdes e luzidias folhas de doze pés de comprimento debruçando-se sobre o telhado das varandas, nos fundos de todas as casas. O formato de suas folhas, os variados matizes de verde que eles exibem quando levemente agitadas pela brisa e principalmente o contraste que sua forma e cores apresentam, comparadas às tonalidades mais sombrias e aos contornos mais arredondados das outras árvores, bastam para justificar o encanto que tem essa maravilhosa planta. [...]". Henry Walter Bates (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979, p. 13.
 
 
Bananeira
Ilustração de J. Th. Descourtilz


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Viajantes: Jardins em miniatura!


"[...]. Quanto à navegação gozei aqui pela primeira vez um espetáculo que só se pode ter nas cachoeiras e mesmo aqui só no princípio da vazante; todas as pedras desta cachoeira estavam cobertas de verdadeiras almofadas de Podostemaceae. O desenvolvimento destas plantas minúsculas e graciosas podia ser estudado aqui em todas as suas fases, do primeiro véu ligeiro e esverdeado que se mostra nas pedras ainda completamente submersas, até as camadas espessas e luxuriantes da folhagem plenamente desenvolvida à flor d´água, até  as milhares e milhares de florzinhas que elevam suas mimosas corolas brancas em galhinhos transparentes de cor de rosa nos lugares apenas abandonados pelas águas e até os restos quase invisíveis formados pelas plantas dissecadas que se encontram nas partes mais altas do pedral. Quem passa algumas semanas mais tarde pelo mesmo lugar não vê mais vestígio nenhum destes jardins em miniatura, cuja graça ainda é exaltada pelo contraste do deserto de pedras e águas tempestuosas que os rodeia". Emília Snethlage (1868-1929). A travessia entre o Xingú e o Tapajós. Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de Historia Natural e Ethnographia, Belém, v. 7, n. 1-4, p. 55, 1910.
 
 
 
 
Uma paisagem de Podostemaceas.
 Boletim do Museu Paraense  de Historia Natural e Ethnographia 


domingo, 7 de setembro de 2014

Viajantes: O Abacate como o alimento preferido dos felinos selvagens!


"Muitos mamíferos percorrem longas distâncias em busca de alimento. No caso dos que andam em grupos, como as queixadas e certos tipos de macacos, esses frequentam determinados viveiros naturais bem conhecidos, nas épocas do ano em que esse ou aquele tipo de fruta amadurece e cai, de maneira que o experiente caçador nativo sabe nessas épocas para onde se dirigir a fim de caçá-los. É bem conhecida a atração dos animais pelo abacate, o fruto da Persea gratíssima, uma frondosa Laurácea. Já vi gatos que preferiam essa fruta a qualquer outro alimento, e os felinos selvagens, segundo se diz, sentem por ela uma atração irresistível. Um índio me contou que, na floresta situada entre o Uapés e o Japurá, ele certa vez deparou com quatro onças sob um abacateiro, devorando sofregamente os frutos caídos no chão, enquanto ronronavam satisfeitamente. Colhi as flores de pelo menos quatro espécies de Persea, mas nunca tive a sorte de encontrar uma que estivesse com frutos maduros, de maneira que perdi uma oportunidade de ver reunidos à sombra daquela árvore diferentes tipos de animais, conforme me asseguraram que iria acontecer." Richard Spruce (1817-1893). Notas de um botânico na Amazônia. 2006, p. 336.
 
 
 
Abacate (Persea gratissima).
L´illustration horticole. 1889.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Viajantes: Samambaias que aspiram às alturas!

 
"O igarapé mais lindo de Alcobaça [Tucuruí], em termos de paisagem, talvez fosse o primeiro, no trecho ao longo do qual o encantamento estava instalado. Ele segue através de um desfiladeiro bem estreito, que oferece espaço suficiente para a vegetação poder ostentar mesmo ali seu esplendor supremo. Do lado do caminho, logicamente, foi necessário abrir espaço para o encanamento, que conduz até a altura de 20m mais ou menos pela encosta do morro. Árvores foram derrubadas e o barranco desbastado, onde agora seus restos, há tempos novamente cobertos de verde, porém ainda estendendo raízes e ramos ressecados em direção ao céu, compõem um primeiro plano pitoresco e selvagem, enquanto a vista agora pode estender-se para todos os lados, na beleza da floresta situada defronte, e mergulhar na profundeza onde a água aparece em alguns pontos cintilando rugindo e esbravejando, samambaias aspiram às alturas, cipós enormes se entrelaçam por sobre o riacho, formando pontes aéreas para os macacos, além de grupos de açaizeiros esguios com suas palmas quase sempre de fácil movimento e de um verde suave, que dão um tom gentil à poderosa sinfonia das plantas. As samambaias - que realmente são uma porção, ainda que só tenham de 3 a 4 metros de altura - foram o que mais me interessou, não só pela beleza e por serem as primeiras que vejo ao natural, mas também porque não se sabia desses infantes montanheses tão no fundo dos rios, como aqui, no baixo Tocantins, até onde tenho conhecimento. É claro que as fotografei para o Dr. Huber. Pena que não tivemos mais tempo para trazer exemplares vivos." Emília Snethlage (1868-1929). In: SANJAD, Nelson et al. Emília Snethlage (1868-1929): um inédito relato de viagem ao rio Tocantins e o obituário de Emil-Heinrich Snethlage. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 8, n. 1, p. 208-209, jan./abr. 2013.
 
 
 
Samambaia.
Ilustração: Walter Hood Fitch


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Viajantes: Ananás


"Devo ainda mencionar o ananás, fruta muito cultivada no Brasil. O solo arenoso e os declives batidos pelo sol são-lhes propícios, motivo pelo qual o brasileiro costuma usar esta planta em cercas vivas nos jardins e também porque a maioria dos animais não gosta de passar por cima da trama formada pelas suas folhas duras, espinhosas e entrelaçadas. A fruta é maior que a de nossos jardins de inverno, mas menos saborosas e mais seca. [...]". Dr. Hermann Burmeister (1807-1892). Viagem ao Brasil. 1952, p. 50.
 
 
Abacaxi. Ananas comosus.
Maria Sybilla Merian (1647-1717). Insects of Surinam.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Vocabulário amazônico: Igapó


IGAPÓ -  Floresta alagada. Charco onde vegeta a mata aquática. Lagos de água escura e transparente recoberto de selva. Em geral não se vê um raio de sol no igapó. Tudo por cima é galho e folhagem. A abóboda é verde. Os grandes troncos de árvores mergulham na linfa cristalina, porém negra. (Raimundo Morais (1872-1941). O meu dicionário de cousas da Amazônia. 2013). 

ETIMOLOGIASegundo  o Dr. Jacques Huber "o termo Igapó significa: mata cheia de água. [...]. Com o nome de Igapó, o indígena designa antes uma mata onde a água fica estagnada ou retida durante muito tempo, isto é, os trechos da mata com drenagem insuficiente. [...]".

LITERATURA: "As árvores do Igapó recrutam-se em parte da mata geral das várzeas e neste caso  elas ficam mais baixas e ramificadas em altura menor; mas em geral a composição da mata muda completamente, desde que chegamos num igapó. [...].
Os cipós são relativamente raros no igapó, e as plantas trepadeiras por meio de raízes são apenas representadas por uma cactácea, bastante frequente nos rios Purús e Juruá, o notável Cereus wittii Schum., e um ou outro Philodendron. Em compensação as epífitas são muito bem representadas no igapó, achando nas árvores bastante distantes entre si a luz suficiente ao seu desenvolvimento e ao mesmo tempo a umidade necessária. [...]". Jacques Huber (1867-1914) . Mattas e madeiras amazônicas. Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de Historia Natural e Ethnographia, Belém, t. 6, p. 113-115, 1910.
 
 
Igapó
 D. C. Sanches de Frias
Uma viagem ao Amazonas. Lisboa: Typ.  de Mattos Moreira & Cardoso. 1883.