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Mostrando postagens de agosto, 2018

Os graciosos leques da palmeira indaiá

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"[...]. O caminho coleia junto à falda, através de belos bosques de coqueiros, penetrando depois por entre as montanhas; ele é bem traçado e foi muitas vezes aberto com esforço entre rochedos e precipícios. Nos trechos mais perigosos é protegido por um parapeito. A paisagem é de notável beleza; avistam-se a cada momento profundos vales cobertos de sombria mata, destacando-se no fundo verde-escuro das florestas que vestem os flancos das montanhas os caules delgados  e brancos das imbaúbas ( Cecrópia ) e os graciosos leques da palmeira indaiá. Outra cena ainda mais bela ia-nos prender a atenção. O rio Tombador, largo de uns 15 metros e fechado pela magnífica floresta tropical, aí se precipita perpendicularmente de uma altura de 20 metros numa profunda garganta, expandindo-se embaixo da cachoeira numa bonita bacia. O caminho, bastante íngreme, continua a seguir o trajeto do rio, que apresenta ainda diversas cascatas, menos imponentes, é verdade, do que a primeira, mas ainda assim m

As mangas grão-paraenses

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"Comida é coisa que vem de arranjos do indígena. A cozinha grão-paraense é a mais típica do Brasil, porque suas origens e causas só se rendem à terra. Ao primitivo, ao puro habitante do Grão-Pará. É a mais "orgânica e fundamental", dá-lhe a devida patente o escritor Osvaldo Orico. Que se faça respeitar a primazia ecológica e a profusão de pratos em demanda gastronômica nos matos, nos ares, nas águas grão-paraenses. Verdade que fica enxertada nos olhos é a profusão de frutos saborosíssimos: açaí, bacaba, patauá, buriti, murici, bacuri, cupuaçu, mangaba, pupunha, uxi, taperebá, fruta-pão, jaca-do-pará, graviola, mamão, abiu, ananás, ata. E mangas! Apesar de origem indiana, é tão forte e ecologicamente grão-paraense que se torna brasão vegetal da terra: mangas por toda a parte, de todos os tipos e perfumes, e suas mangueiras enormes, decorativas, mães de sombra e de lazeres. De tudo se põe a crédito refrescos, vinhos, doces, sorvetes. [...]". MAIA, Tom; TOCANTINS

Pela primeira vez na Floresta Amazônica

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"Não sou capaz de exprimir as minhas sensações durante o percurso de quase um quilômetro, até o ponto onde estava a canoa. Imaginem-se os amigos, pela primeira vez em floresta amazônica, trilhando uma picada coleante, em plena escuridão, atrás do guia portador de uma lamparina fumarenta, galgando velhos troncos caídos passando rente de árvores de diâmetros desmesurados subindo para as alturas, e confundindo-se no teto sombrio das copas que quase não deixam filtrar a luz do dia, por certo a essa hora, clareando a imensidão do lago. E os ruídos da mata?!... São fantasmagóricos. Aos nossos pés e nos galhos pelos quais passa rente nosso rosto, coaxam as rãs perereca no seu característico estalido metálico. Bandos de araquãs nos mandam lá do alto, bem por sobre nossas cabeças, o coro sonoro de seus gritos onomatopaicos, em resposta ao outro bando muito longe, gritos que dizem claramente destacando as sílabas, quase como vozes humanas: Araquã... Ara-quã... quã... quã... Ara-quã...

A flor da Helicônia cor de fogo

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"[...]. Árvores novas e vigorosas dessa espécie, de 20 a 30 pés de altura, erguem os caules eretos e pardo-escuros, rodeados de anéis de espinhos; as belas palmas protegem o chão úmido de sol abrasador do meio-dia; enquanto outras mais novas, ainda sem caule formado, constituem a vegetação rasteira, sobre a qual se abatem, como colunas partidas, velhas palmeiras secas e mortas. Em cima dessas árvores, votadas à destruição, trabalha o solitário pica-pau de topetes amarelo, ou a bonita espécie de cabeça e pescoço vermelhos... Perto de nós, a flor da Helicônia cor de fogo enfeitava as moitas baixas nas quais se enroscava um lindo Convolvulus de admiráveis flores azuis campanuliformes. Nessa magnífica floresta, as trepadeiras lenhosas mostram-se em toda a originalidade, com formas e curvaturas singulares. Contemplávamos embevecidos esse ermo sublime, animado somente pelos tucanos, pelos pavós, papagaios e outras aves. [...]". Maximiliano, príncipe de Wied-Neuwied (1782-1867).

O sabor especial do Bacuri

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"Além dos frutos que são verdadeiros "pratos", como o açaí, a bacaba, o piquiá, a pupunha, [...], a Amazônia oferece-nos uma surpreendente feira de produtos que são metade flor, metade alimentos, com os quais se delicia o paladar dos nativos, dos turistas, e até o dos convivas dos grandes centros urbanos. É tão especial e substancioso de certos frutos tropicais, que Nunes Pereira coloca os carás, as castanhas (além da do Pará, existe a sapucaia), a pupunha, a sorva, o tucumã, o umari e o uxi na rubrica dos alimentos. É o caso do bacuri, que o Barão do Rio Branco adotou como sobremesa dos grandes banquetes oficiais do Itamarati e de que era apreciador nato. Sua preferência levava-o a tornar-se um exímio propagandista das excelências dos frutos tropicais, por ele considerados não só uma dádiva da terra, mas um manjar dos céus. [...]. Anote-se, entretanto, em favor da benevolência do seu paladar, que o fruto em calda, enlatado para exportação, está longe de ser o

Uma bela espécie de Bacaba

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"À medida que avançávamos pela correnteza turva e borbulhante, perlongando a mata verde e encharcada pelas chuvas, íamos deparando grandes árvores inclinadas sobre as águas, em ambas as margens. Nos pontos em que o rio se estreitava e as árvores pendentes eram muito longas ou coincidia ficarem as de uma margem na direção das da outra, tínhamos pela frente uma barreira que somente o machado removia. Havia muitas palmáceas, sobretudo, buritizeiros de frondes rijas em forma de leque e uma bela espécie de bacaba com longas e graciosas copas recurvadas. Em certos sítios essas palmeiras se erguiam umas bem junto das outras, afuniladas e esguias como majestosa colunata encimada pelas frondes em alto relevo sobre o fundo do céu". Theodore Roosevelt (1858-1919). Nas selvas do Brasil . 1943, p. 229. Bacaba-de-leque. Oenocarpus distichus Mart.  (Detalhe) J. Barbosa Rodrigues. Sertum palmarum brasiliensium . vol. 1, t. 38, 1903.