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Mostrando postagens de 2026

Viajantes: Maravilhosas formas de vegetação

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    Maravilhosas  formas de vegetação chamavam a cada passo a nossa atenção. Entre elas havia várias espécies de bromélias, ou plantas semelhantes ao ananás, com suas longas folhas rígidas, em forma de espadas, algumas com as bordas serrilhadas ou denteadas. Havia também a fruta-pão - árvores importadas, é certo - mas digna de nota por suas grandes folhas luzidias, verde-escuras, fortemente digitadas e por sua interessante história. Muitas outras plantas curiosas por suas hastes, folhagens ou modo de crescimento apareciam na orla da floresta que era atravessada pela estrada que percorríamos, todas eram cheias de atrativos para os recém-chegados, cuja última excursão campestre, em data muito recente, tinha sido realizada nos brejais frios do Condado de Derby, numa manhã de chuva e gelada de abril. FONTE: BATES, Henry Walter. O naturalista no rio Amazonas . São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1944. v.1. p. 35-36. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Série 5a. Brasiliana. ...

Lendas e Curiosidades: A Matinta Perera e a ave Saci

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    A   Matinta perera aparece como uma velha vestida de preto, com longa saia.      Na hora do encanto começa a pular e virar cambalhota com uma lamparina acesa na cabeça que misteriosamente não cai, mantendo acesa a chama até ela virar duende.     A partir daí começa a assombrar as pessoas, dando-lhes violentas dores de cabeça, o corpo fica moído, cheio de dores, etc.     Quando ela está rondando uma casa reconhece-se pelo assobio do pássaro que a crendice popular afirma ser o saci que a acompanha. Para uns é o próprio saci que se transforma na velha Matin.     Assustadas as pessoas podem prendê-la evitando de que prossiga a transformação. É só espetar uma agulha virgem num cinto de couro e rezar baixinho algumas orações. A Matinta se prende por ela mesma. naquela noite não mais prossegue a viagem - fica rondando a casa assoviando até o dia amanhecer. Então pede que desfaçam a prisão.     Mas, se não quiserem pren...

Viajantes: Os tucanos e os papagaios com suas características

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         Entre as aves trepadoras sobressaem as araras, que habitam o cimo das maiores árvores, onde comem e dormem. Os papagaios, sempre casados, passam a vida no tope dos madeiros. Os naturalistas os comparam, pela irrequietude, aos macacos, da mesma forma que comparam, pela lentidão, as preguiças dos tucanos. Estes, de bicos enormes se bem que leves, famosos trepadores, de vez em quando emigram dentro da própria bacia amazônica, atravessando vales e serras numa larga peregrinação que parece originária da postura. [...].   FONTE: Morais, Raimundo. Amphitheatro amazônico . São Paulo: Melhoramentos, 1936. p. 158. Tucano ( Ramphastos erythrorhynchus , Gmel. John Gould (1804-1881). A Monograph of The Ramphastidae or faimily of toucans.   2. ed. 1992.

Viajantes: A profusão de orquídeas e bromélias

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     A palmeira paxiúba (Iriathera exorrhiza) e algumas espécies de Cecropia (embaúba) exibem outra extravagância em suas raízes. Elas aparecem estar apoiadas em estacas, o verdadeiro tronco apenas começando a uns 2 ou 3 metros, acima do solo. Mas o que mais excita nossa admiração é a profusão de orquídeas e bromélias. Estas frondosas filhas dos trópicos envelopam om sua folhagem espessa, com folhas e flores do mais irregulares formatos, tanto os troncos de árvores já caídas quanto aquelas em que ainda há pleno vigor, formando jardins suspensos de surpreendente magnificência. Em todo lugar, nos galhos e no chão, e mesmo nas frestas  da rocha bruta, ramos delicados de um rico musgo afloram e vestem de um frescor verde os troncos já tombados. FONTE: KELLER-LËUZINGER, Franz. Os rios Amazonas e Madeira: esboços e relatos de um explorador. Belo Horizonte: Editora Dialética, 2021. p. 174. Orquídeas e bromélias br.pinterest.com        

Uma nova pesquisa começa: Plantas úteis na Amazônia

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     Começo uma nova etapa de pesquisa para uma futura publicação: Plantas úteis na Amazônia: conhecimentos, usos, histórias e lendas das principais espécies medicinais, aromáticas, alimentícias e madeireiras.    Será um trabalho de caráter histórico e bibliográfico , dedicado a algumas das principais plantas úteis da Amazônia, procurando reunir não apenas seus usos e conhecimentos tradicionais, mas também as histórias, curiosidades e lendas que fazem parte da relação entre povos e floresta.     A pesquisa percorrerá livros, relatos de viagens, obras de botânica e outras fontes bibliográficas, recuperando registros deixados por viajantes e naturalistas que percorreram a Amazônia , além de citações e estudos de antropólogos, folcloristas e outros estudiosos da região . Esses diferentes olhares ajudarão a mostrar como as plantas foram observadas, descritas, utilizadas e incorporadas à vida e a cultura amazônica ao longo do tempo.     As fontes ...

Viajantes: Uma floresta luxuosa

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J . Barbosa Rodrigues em Exploração e estudo do Valle do Amazonas : Rio Tapajoz. 1875. p. 78-79 comenta sobre a vegetação da floresta:      Como  que para compensar a mesquinhez e raridade de bonitas árvores no campo, a floresta apresenta-se luxuosa com seus imensos madeiros todos com mais ou menos emprego nas artes e ofícios.      O Oenocarpus distichis e a Maximiliana regia, aí não só abundam, como tomam um desenvolvimento extraordinário.     Em alguns lugares úmidos, cresce o Marajá (Bactris) que se estende por alguns espaços. Goza-se aí na floresta uma frescura agradável, enquanto que no campo, apesar de alguma viração o calor é insuportável. Aí anima a floresta um pequeno pássaro esverdeado do gênero Tanagra que com seu canto assoviado e repetido por centenares de companheiros, ocultos pelas folhas no alto das árvores, forma uma harmonia que dá vida ao sombrio lugar.   Tendo aí colhido algumas flores do Oenocarpus, passei o dia 8 de...

O Blog completa 13 anos!

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           O blog dedica-se, desde 2013, à divulgação de pesquisas sobre a fauna e a flora da Amazônia, reunindo descrições científicas acessíveis, curiosidades, lendas e relatos históricos de escritores,  viajantes e naturalistas que percorreram a região ao longo dos séculos.      É um espaço dedicado à divulgação da biodiversidade amazônica e à valorização das fontes históricas que documentaram a região ao longo do tempo.               Acompanhe, leia e partilhe essa história! Obrigada! Floresta tropical br.pinterest.com            

Literatura: O Pavãozinho-do-Pará e seu talismã

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     Não  possui a suntuosidade do pavão, nem o aparato teatral dos argos, mas é mimoso e delicado, move-se em serpenteios e ondulações, lançando para frente, docemente, a cabeça.                Tem um jeito particular de caçar moscas e daí lhe vem o cognome de papa-moscas. Neste mister mostra-se insuperável. Quando a mosca se aproxima, fita-a  de forma estranha, tomando a sua fisionomia, neste instante, o aspecto terrífico da de um ofídio, o que a cabeça achatada, ainda mais acentua.       Como a serpente parece lançar eflúvios hipnóticos, chispas de fogo, pelas suas pupilas incendidas, e de uma bocada, o que não falha, apanha o apetecido inseto.      Como é de índole pacífica, rápido se domestica, tornando-se  uma ave, que além de lindo aspecto decorativo, se mostra utilíssima, não somente para caçar moscas, mas toda espécie de insetos. [...].       O pavãozinho goza alto...

Viajantes: A utilidade das palmeiras na Amazônia

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    [...].  Estas palmeiras têm aplicações variadas para os misteres da vida: da casca do miritizeiro e do açaizeiro fazem-se tábuas para soalho de casas e pontes; dos pendões dessas palmeiras tiram-se talas para fabricação de cestos, gaiolas, esteiras, tipitis, etc.; com as folhas de ubuçuzeiros e do ubinzeiro cobrem-se as choupanas e até grandes casas; o âmago do pendão do jupatizeiro presta-se para fazerem paredes divisórias nas habitações. Grande parte dessas palmeiras são apreciadas na alimentação; o suco do açaí, tirado da película que cobre as sementes, e que é amolecido por meio de água tépida, transforma-se, depois de peneirado, em vinho de cor vermelho escuro de um sabor agradabilíssimo e muito apreciado pela quase totalidade dos habitantes; da bacaba e do patauá extrai-se também um vinho muito agradável de cor branca, ou avermelhada, os vinhos do carauá, do miriti, do tucumã e de algumas outras palmeiras também são muito apreciados, diferindo entre si pela cor ...

Literatura: A borboleta azul na selva amazônica

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     Nos varadouros e nas velhas estradas dos seringais da Amazônia - isto é, em plena selva equatorial - é frequente aparecer-nos, num voo irregular, surgindo não se sabe de onde, a Borboleta Azul, pertencente ao gênero Morpho , segundo Rodolpho von Ihering: "algumas são de cor azul intensa, com reflexo de seda e bordas pretas, outras são de um branco anilado, com pontos pretos sub marginados".      Com o seu voo incoerente e a sua beleza, a Borboleta Azul teria de incorporar-se à ação mítica de outros seres da selva amazônica.  FONTE: PEREIRA, M. Nunes. Moronguêtá : um decameron indígena. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. v. 2. p. 521). Ilustração de Edward Donovan (1768-1837)  

Literatura: A beleza dos Tucanos e Araçaris

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         Se  quiséssemos buscar entre as aves do Brasil, uma que bem caracterizasse as singularidades das formas e a beleza de colorido de representante da avifauna neotropical, a escolha necessariamente recairia nos tucanos e araçaris. Só eles, de fato, ostentam aquelas formas aberrantes dos clássicos modelos da natureza, só eles se vestem com púrpuras realengas, com o amarelo alaranjado dos frutos tropicais, com o azul dos mares brasileiros, com o verde da nossa bandeira.  FONTE: S ANTOS, Eurico. Da ema ao beija-flor : vida e costumes das aves do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1952. p. 296. (Zoologia Brasílica, 4). Tucanos e Araçaris J. Th. Descourtilz. Ornithologie brésilienne, ou, Histoire des oiseaux du Brésil - remarquables par leur plumage, leur chant ou leurs habitudes . [1854-1856].  www.biodiversitylibrary.org

Viajantes: orquídeas que encontrei em um igapó

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          Em uma outra região mais aberta do igapó, um magnífico ipê-roxo sobressaia com sua copa maciça de flores. No alto do tronco branco havia duas enormes bromélias com folhas em formato de ânfora, de onde surgiam inflorescências corais. As plantas estavam em local muito elevado para serem alcançadas. Procurei por uma planta que estivesse ao alcance e encontrei três, porém sem flores. Havia muitas outras plantas a serem colhidas nesse local, pois esse igapó era um dos mais protegidos e férteis em epífitas que eu já tinha visto. As jarás cresciam entre os pau-d´arco, as cuíras e grandes árvores de madeira sólida. Durante nossa estada, um índio  presenteou-me com uma orquídea interessante, um labelo listrado, Catasetum discolor, enquanto remava sua canoa. Ao amanhecer, continuei adicionando Catasetuns e outras orquídeas, incluindo a adorável Aganisia cerulea, com inúmeras flores azuis à minha enorme coleção de espécies. FONTE: MEE, Margaret. Flores ...

Literatura: No sossego da floresta deserta

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João Peregrino da Silva Junior (1898-1983), jornalista, médico e escritor brasileiro, em seu livro A mata submersa e outras histórias da Amazônia . 1960. p. 65, descreve a floresta durante à noite e o  barulho que ocorre dentro dela.      Dentro do sossego da floresta deserta, o silêncio povoado de fantasmas abre as suas negras asas aterradoras. No quiriri da mata virgem, onde o estalido das folhas secas dança entre os estrilos das ciganas e dos grilos, ao ritmo melancólico da onomatopeia dos sapos e das corujas, dos caburés e das guaribas dos tucanos, dos nhambus, dos arapapás e araçaris. Adormece como um monstro da floresta o silêncio da noite tropical. O por do sol começa às quatro da tarde e às seis já é noite cerrada. Perto da mata, à beira do igarapé, debruça sobre o espelho negro das águas mansas o rancho de palha que agacha-se, transido de terror à sombra pesada do crepúsculo que o esmaga. Selva amazônica br.pinterest.com

Literatura: Os travessos e irrequietos japiins.

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J osé Veríssimo (1857-1916), escritor, educador, jornalista e estudioso brasileiro,  em seu livro Cenas da vida amazônica, 2011, em edição organizada por Antônio Dimas, relata cenas interessantes sobre o pássaro japiim e seus ninhos:      Pelo céu passam gritando alegremente, bandos de marrecas e nuvens de verdes de papagaios tagarelas e periquitos estrídulos; os canários da terra, amarelos como gemas d´ovo, de cujo tamanho são, chilreiam nos arbustos as suas cançonetas de uma frescura cristalina e pura; das mongubeiras, donde pendem, como grandes frutas pardas os ninhos dos japiins, estes passarinhos travessos, irrequietos, espalham em roda a sua melodiosa algazarra, brilhando por entre o verde das folhas e o escuro dos ninhos com a sua vivíssima cor amarela, realçada sobre o negro lustrosíssimo  . J apiim Álbum de aves amazônicas 1900-1906 Desenho de Ernst Lohse (1873-1930)

Literatura: Um interminável viveiro de plantas aquáticas.

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O romancista português José Maria Ferreira de Castro (1898-?), trabalhou em um seringal na Amazônia, e dessa árdua experiência, surgiu, muitos anos depois, o romance A Selva , editado em Portugal. Aqui, um trecho desse livro, registrado por Ferreira de Castro em uma segunda edição da obra publicada em 1937.     Ainda mais adornos povoavam a água preguiçosa na marcha, a água grossa e barrenta: o mururé, a aninga, o muri, as ilhas da canarana que se desprendera das margens - um interminável viveiro de plantas aquáticas e vagabundas, perante as quais são pobres e tristes todos os nenúfares do Oriente. esta levava as folhas coladas à água, formando ninho vede e macio; aquela, erguia as palmas para o céu deixando que a luz lhe traspassasse o recorte fantástico - e iam outras, ainda que vogavam ligados entre si, constituindo colônia e plinto errante de garças melancólicas. Plantas aquáticas na Amazônia - Pinterest-Brasil          

Viajantes: Uma linda Gustavia branca

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M argaret Mee (1909-1988) artista e botânica, em uma de suas viagens à Amazônia, registrou em seu livro Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010, seu encontro com uma Gustavia de flores brancas, a qual está ilustrada por ela, na mesma obra.    Uma enorme lua surgiu nesse paraíso de tranquilidade, silencioso, não fosse o coral de sapos e lamentos tristes das corujas e pássaros noturnos. Foi nesse local que ouvi pela primeira vez o mais incrível lamento de um pássaro noturno: o da saracura.      Iniciei o dia seguinte com uma bela coleção de plantas e sementes do Bombax munguba e seus grandes tubérculos roxos repletos de paina, onde se alojavam as sementes muito procuradas por papagaios.     Apesar de as águas terem permanecido turbulentas, consegui colher uma linda Gustavia branca com o miolo laranja. Tive muita dificuldade para pintar as flores tão delicadas, pois o barco balançava muito devido ao forte vento. Gustavia sp. Margaret Mee (1909-1988) ...

Viajantes: Os mais belos araçaris

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Alfred Russel Wallace (1823-1913) , relata  em seu livro Viagens pelo Amazonas e rio Negro . 2004. p. 235,  seu encontro com um dos mais belos araçaris, os araçaris de crista anelada.         Pela manhã, durante uns pares de horas, eu saía com a rede para capturar insetos.      Próximo do rio, nas margens, onde as águas da vazante deixavam depositado o barro que transportam, encontrava algumas espécies raras de borboletas, que pousava em tais lugares.    O araçari ou pequenos tucanos de várias espécies, eram abundantemente encontrados ali.      Os mais belos e mais raros são os araçaris de crista anelada, cuja cabeça se cobre de pequenos anéis listrados e são de uma substância muito mais semelhante a espinhos de pontas metálicas do que mesmo a penas.    Essas aves, por vezes, são abundantemente encontradas ali, porém só se veem algumas semanas após o aparecimento das outras espécies. Araçaris  John...

Literatura: Uma sinfonia de perfumes!

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Raimundo Morais (1872-1941), autor de vários livros sobre à Amazônia, comenta em seu romance Os Igaraúnas . 1985. p. 148-149, sobre a época em que desabrocham as flores e seus perfumes invadem a floresta.            [...]. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha a hileia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, róseos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta que evoca um jardim de gigantes, pois as Catléias e as Catasetuns desabrocham lá nos frisos superiores. Os litorâneos taxizeiros, ...

Viajantes: As palmeiras na Amazônia

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Herbert H. Smith (1851-1919), pesquisador norte-americano, veio ao Brasil em 1870 com o geólogo Charles Frederick Hartt e, alguns anos mais tarde, passou dois anos nos arredores de Santarém-Pa, explorando os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, escrevendo posteriormente  o livro: Brasil : a Amazônia. 2. ed. 2022, de onde é retirada essa citação sobre as palmeiras:           Quem quer que enxergue sentirá sua alma comovida pela maravilhosa beleza da vegetação. Não se vê um pedaço de chão; direita, surgindo da água, a floresta se levanta como uma parede-densa, escura, impenetrável, cem pés de esplendorosa vegetação. E, aparecendo por toda parte, no meio desse acúmulo de plantas, milhares de palmeiras. Pois as palmeias têm o seu habitat; em nenhum outro lugar da terra sua glória se exibe como nestes ermos. Macios e plumosos jupatis (Raphia taedigera), debruçados sobre a água; açaí (Euterpe edulis) com a leveza de plumas e buçus (Manicaria sacci...

Literatura: Os jacamins-de-costas-verdes

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Helmut Sick (1910-1991), ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro  comenta sobre as aves que encontrou em viagem que fez ao Brasil Central, publicado em sua obra Tukani : entre os animais e índios do Brasil Central. 1997. p. 99:           Sem que os animais me notassem, prossegui meu caminho. Acima de mim, um beija-flor banhou-se na folhagem delicada e ainda cheia de gotas de um galho mais arriado. Um grito agudo, erguendo-se do mato, anunciou a presença, sobre um tronco caído, de uma ave de pernas altas e pescoço curvo: era um jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), em que eu estava interessado. Seguiu-se um espetáculo indescritível com a repentina entrada em cena de muitos outros jacamins que, piando e cacarejando, corriam para todos os lados e voavam pelas moitas e árvores. Só quando um galho estalou e quebrou sob meus pés, o bando, dando pela minha presença, fugiu dali. Jacamim-de-costas-verdes ELETRONORTE. Pássaros do Brasil. 2...

LITERATURA: Viagem pelos rios da Amazônia

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Narrativa do repórter Ernesto Vinhaes, durante sua viagem à Amazônia, publicada na obra Aventuras de um repórter na Amazônia . 2. ed. 1941. p. 87.     Quantas vezes inclinava-me perigosamente a canoa sob o impulso de minhas mãos sequiosas por alcançar um ou outro piquiá, de polpa amarela e gostosamente doce, apesar de bastante oleoso. Cancãs e cojubins negros batiam asas, então, perturbados no seu piar monótono pela minha indesejável aparição. Pelos pedaços rotos da galharia perpassavam as sombras de corocas e socós em voo; e tapurus, que não sei de onde, despencam sobre meus ombros, mordendo-lhes ferozmente, como só as formigas da Amazônia sabem morder. Cancã J. Th. Descourtilz. Oiseaux du Brésil. 1834. www.biodiversitylibrary.org

Literatura: O Galo-da-Serra

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Rodolpho von Ihering, em Dicionário dos animais do Brasil. 1968. p. 312, comenta sobre a dança dos galos-da-serra          São dançarinos, também, os galos-da-serra, e a eles tanto Humboldt como os irmãos Schomburgk dedicaram belas páginas em suas famosas narrativas de viagens.               Infelizmente não temos, ao que nos conste, outras    descrições de escritores nossos, que tenham relatado o        espetáculo, de acordo com observações próprias. Seria, no    entanto, tema dos mais dignos de ser desenvolvido pelos poetas verdadeiramente apaixonados pelos segredos das nossas florestas. Embrenhando-se pela mata cerrada, talvez junto a um córrego, encontrará o artista, na clareira, um pequeno tabuleiro de rocha, atapetado pelo musgo. Escondido em meio da folhagem, imitará os gritos quase miados do galo-da-rocha e terá logo a  resposta de várias dessas aves,  que assim se...