Literatura: O Galo-da-Serra
Rodolpho von Ihering, em Dicionário dos animais do Brasil. 1968. p. 312, comenta sobre a dança dos galos-da-serra
São dançarinos, também, os galos-da-serra, e a eles tanto Humboldt como os irmãos Schomburgk dedicaram belas páginas em suas famosas narrativas de viagens.
Infelizmente não temos, ao que nos conste, outras descrições de escritores nossos, que tenham relatado o espetáculo, de acordo com observações próprias. Seria, no entanto, tema dos mais dignos de ser desenvolvido pelos poetas verdadeiramente apaixonados pelos segredos das nossas florestas. Embrenhando-se pela mata cerrada, talvez junto a um córrego, encontrará o artista, na clareira, um pequeno tabuleiro de rocha, atapetado pelo musgo. Escondido em meio da folhagem, imitará os gritos quase miados do galo-da-rocha e terá logo a resposta de várias dessas aves, que assim se consideram convidadas para o bailado. Aos poucos talvez vinte pássaros aí estão reunidos, os machos em seu traje de belíssima cor dourada. Um deles dá início à função, voando para o meio do tablado. A princípio seus passos mesurados apenas chamam a atenção dos espectadores; depois os movimentos mais requebrados e pulinhos graciosos põem em evidência sua habilidade de dançarino, ao mesmo tempo que, desfraldando em leque sua plumagem, como um pequeno pavão cor de ouro, faz valer a beleza de seu adorno. Por fim, intimamente satisfeito, o mimoso artista dá por terminada sua exibição e, com um gritinho, voa para o círculo dos espectadores, de onde outro macho vem, por sua vez, para o palco. E assim, sucessivamente, todos os artistas, um por um, passam a executar seu número do programa - e ao artista da palavra ou da aquarela resta a grande dificuldade da escolha dos momentos mais pitorescos a serem reproduzidos e fixados na poesia ou na tela.

Galo-da-Serra (Rupicola rupicola)
ELETRONORTE. Brasil. 500 pássaros. 2000
Desenho de Antônio Martins
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