domingo, 10 de janeiro de 2016

A chegada de Castelo Branco



"Castelo Branco navegou por muito tempo absorto diante da majestade de selvas seculares, de esteiros graciosos, de terras verdejantes, de pássaros multicores e de vários tamanhos e formas, que esvoaçavam no espaço ou repousavam nas praias em grandes bandos. A natureza virgem do solo devia realmente ser admirável e opulenta. Os seus mistérios e esplendores não tinham ainda sido devassados pelos aventureiros. Julgava ele estar no Amazonas, e subindo sempre por entre ilhas de basta e luxuriante vegetação, avistou uma grande enseada que terminava a sua curva em alta ponta de terra firme formando uma espécie de península, banhada de um lado pelo rio Guamá e de outro pela baía do Guajará.
E na suposta hipótese de achar-se nas águas do Amazonas, deu a este sítio o nome de Grão-Pará que na língua tupi quer dizer – rio grande.
Agradou-lhe o aspecto do lugar, pelo que mandou fundear os seus navios nessa enseada que estendia-se ao longo em plácido remanso, n só para dar repouso à gente e guarnição, como para observar os selvagens e preparar o seu desembarque de modo que pudesse efetuá-lo com vantagem, quando e como melhor conviesse. [...].
O dia 3 de dezembro despontava sob bons auspícios. Ao amanhecer, os indígenas percorriam o litoral livremente e por sua vez acenavam para os navios. Castelo Branco, conhecendo as suas intenções favoráveis, tratou de desembarcar sem demora; e chegado à terra, examinou o sítio em que hoje assenta a importante capital do Pará, na margem oriental da baía do Guajará, então chamada de Saparará. Era este o nome dado aos índios que habitavam na entrada da mesma baía. [..].
É bom dizer que a antiga baía de Saparará é atualmente dividida em duas: - uma da cidade de Belém à intitulada ponta do Pinheiro, - outra da ponta do Pinheiro à do Mosqueiro. A primeira chama-se do Guajará, - a segunda de Santo Antônio. Guajará era o nome de uma árvore que aí havia em abundância nas várzeas, sobretudo à beira d´água. Não é raro ainda hoje encontrar-se nos subúrbios da cidade. [...]". RAIOL, Domingos Antônio (Barão de Guajará) (1830-1912). História colonial do Pará. Revista da Sociedade de Estudos Paraenses,  Belém, t. 1, n. 4, p. 155-156, 1894.

 
 

Nau Portuguesa do séc. XV. 
 
 



 







 

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