quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O Piri



"[...]. Todas as plantas do século XVIII mostram claramente o domínio da grande baixada que praticamente dividiria a urbe em duas partes. O Jesuíta João Daniel em seu trabalho, hoje raríssimo, cita Belém como que separada em duas porções: uma a direita e a outra à esquerda do valado do Piri. A velha travessa de São Mateus em função paralela à Estrada de São José, serviria de eixo divisório, além de já o ser, desde a criação do bispado, a linha que separaria as duas paróquias da cidade: a da Sé e a da Campina: [...].
Baena informa em suas obras ter o Piri 600 por 300 braços e isso  se poderá constatar com clareza nos desenhos efetuados na segunda metade do século XVIII.
Com maior destaque, a planta de 1791 de Constantino Chermont define os limites molhados do discutido pântano que, para seu ensecamento, os serviços durariam um século, sendo aterrado com pedregulho e cascalho das poucas zonas altas de Belém, procedido em costado de escravos e transportado em cestões próprios para tal fim.
As referências históricas pintam-no pleno d´água no inverno,  com suas palmeiras, suas jacitaras, seus açaizais, suas aves multicores e, em função de sua superfície, muitos de nossos cronistas do passado longínquo, julgariam Belém situada em uma “ilha”.
O dique perimetral de Belém representa o contorno da cidade para a drenagem comum de várias bacias da mesma característica e do mesmo sentido geográfico do Piri. Contudo, a maior delas e de maior significação na evolução urbana efetivamente, seria o Piri que, desde o século XVIII impediria, a expansão do trançado retilíneo estabelecido na velha cidade após a sua fundação em 1616. Portanto, toda essa parte de Belém compreendida nessa enorme faixa que enquadra os logradouros internos da atual Rua “Padre Eutíquio” até o “Arsenal” e da “Av. Tamandaré” ao “Ver-o-Peso”, tudo se constitui dos tijucais moles do Piri, terreno fraco e de difícil, além de onerosa aplicação para edificações. [...]".
Augusto Meira Filho
Notas para a história.
A Província do Pará, Belém, 16 de junho de 1974. Jornal Dominical, a. 1, n. 19, jun. 1974. 3º. Caderno.
 
 
 
Planta da cidade do Pará, feita pelo Capitão Engenheiro Gaspar Gronsfeld, provavelmente em 1771.
 BELÉM do Pará. 1995.
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna (MPEG)
 

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