quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A descrição de Belém por Theodoro Braga



 
"A descrição de Belém feita por Theodoro Braga, através dos vários itinerários dos bondes, nos dá uma perfeita ideia da cidade dessa época: do elegante “Boulevard da República”; da Rua Conselheiro João Alfredo, “principal artéria elegante do comércio a retalho”; da rua 28 de setembro, no Reduto, “artéria principal do bairro menos abastado, cheio de povo e pequenos comerciantes, sobretudo de nacionalidade síria”, bairro este que continha, além das usinas da The Pará Eletric Railway and Lighting Co., “as fábricas de gelo, de cordas, de pregos, de construção e móveis Freitas Dias, grande armazém de ferragens Redutense tomando todo um quarteirão, da Av. 15 de Agosto, em construção na época e que era considerada como destinada a vir a ser, no futuro, “a mais bela e majestosa avenida urbana” no término da qual estava a Praça da República, com o Teatro da Paz, “a Farmácia Dermol, a mais bela e importante da cidade, a elegante casa de modas de Mme. Bousseau, o cinematógrafo Rio Branco e o Café da Paz”, além do Grande Hotel, o cine Olympia, “a mais bela e confortável casa de seu gênero”, e o clube High-Life; da Avenida Nazaré, de perspectiva majestosa, “toda sombreada por altas mangueiras”, ladeada pelos principais colégios e clubes; da Avenida Independência, onde havia, em frente ao Instituto Gentil Bittencourt, o teatrinho Bar Paraense, junto à grande Fábrica de Cerveja Paraense; da Avenida Tito Franco, “cuja perspectiva é grandiosa, pois que é bordada de árvores da mata próxima e o seu fim perde-se, ao fundo, na floresta apenas esbatida”; da Rua Manuel Barata, importante pelo comércio e por nele existirem numerosos gabinetes dentários; da Avenida Padre Eutíquio, com os “templos das lojas maçônicas”; da Avenida São Jerônimo, “que, com a de Nazaré, forma o bairro aristocrático da capital”, graças às vivendas confortáveis de personalidades salientes na política, no comércio e na magistratura; do bairro da Cremação e Jurunas, populosos, de operários e jornaleiros; da Cidade Velha, com suas igrejas e edifícios públicos, etc. etc.
O centro bancário de Belém se desenvolvia em torno da Rua 15 de Novembro, assim como a maioria das companhias seguradoras ali se achavam; a Av. 15 de Agosto e Praça da República continham os melhores cafés da cidade; não faltavam as livrarias, “todas na rua Con. João Alfredo”.
Belém é ainda vista pelo mesmo autor, como uma “cidade que acompanha “pari-passu” todo o evoluir da civilização europeia, em contato semanal com os centros elegantes do mundo; assim sendo, “Belém não podia deixar de ser um empório de coisas frívolas, mas indispensáveis, que o requinte moderno exige”.
Para o autor citado, Belém era uma cidade em pleno rejuvenescimento, pois que, ao lado de edifícios que se tornaram obsoletos, havia “palacetes, onde o conforto e o gosto apurado”, faziam “lembrar centros europeus adiantados”; especialmente, ressalta Braga, possuímos “palacetes de gosto e elegância, vilinos e chalets”, ao longo das Avenidas São Jerônimo, Independência, Nazaré, Cons. Furtado, Generalíssimo Deodoro e Tito Franco”. [...]".

 Antônio Rocha Penteado
Belém do Pará (Estudo de Geografia Urbana). 1968, v. 1, p. 159-160.
 
 
 
 
Cruzamento da Avenida de Nazareth com a Travessa Quintino Bocayuva.
À esquerda, observa-se o prédio do antigo solar do Barão de Guamá.
BELÉM da Saudade. 1996.
Acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna (MPEG)
 
 

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