domingo, 29 de maio de 2016

Uma estufa gigantesca


"Dava-nos a impressão de que estivéssemos atravessando uma estufa gigantesca. Uauaçás, buritis, embaúbas, enormes figueiras, bambus hirsutos, estranhas árvores de troncos amarelos, pequenos vegetais de folhas imensas, árvores altas de limbos delicados como seda, troncos arrimados uns aos outros, plantas de estemas finos e macios se atirando para as alturas em busca de luz, tudo isto emaranhado por uma teia de lianas e cipós, atravancava as margens do rio. Seus galhos pendentes furavam a água, formando uma tela espessa, impedindo avistar-se a barranca e até mesmo atingi-la. De raro em raro uma árvore se mostrava florida: grandes flores de neve ou pequeninas corolas vermelhas ou amarelas. As mais das vezes as flores lilases  da begônia-escandente formavam grandes painéis coloridos. Epífitas inumeráveis tomavam os ramos e até os troncos enrugados.
Era pequena a vida alada: uma ou outra anhinga e martim-pescador pousados de longe em longe. A longos intervalos passávamos por um rancho. Num deles notava-se a casa toda branca, coberta de telhas  e assente sobre pequena elevação revestida de grama, tendo à frente mangueiras. Os postigos de madeira se achavam completamente abertos nas janelas sem vidraças, deixando ver amplos quartos vazios, sem um livro ou um adorno sequer. Junto da porta erguia-se uma palmeira repleta de ninhos de icterídeos. Logo atrás viam-se laranjeiras e cafeeiros e, nas proximidades, plantações de bananeiras, arroz e fumo. [...]". Theodore Roosevelt (1858-1919). Nas selvas do Brasil. 1976. p. 111.
 
 
Bananeiras, laranjeiras, palmeira e touceira de bico-de-papagaio num jardim.
Pintura de Marianne North (1830-1890)

 
 
 


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