domingo, 17 de novembro de 2013

Viajantes: Caraxué.


"[...]. Nas primeiras horas da manhã, as matas perto da minha casa se enchiam de animação com os seus cantos - uma coisa rara na região.
Ouvi ali, pela primeira vez, o canto suave e agreste do caraxué, uma espécie de tordo. [...]. Verifiquei mais tarde tratar-se de um pássaro muito comum nas pequenas matas da região dos campos, perto de Santarém. Esse pássaro é muito menor do que o nosso tordo, suas cores são menos vistosas e o seu canto não é tão forte, tão variado ou tão prolongado como o deste; o seu tom porém, é doce e plangente, e se harmoniza muito bem com o ar agreste e silvestre das matas onde unicamente ele é ouvido nas manhãs e tardes de opressivo calor tropical. Com o passar do tempo o canto desse humilde pássaro foi despertando em mim agradáveis lembranças, assim como faziam em minha terra os seus congêneres, mais bem dotados. Há várias espécies desses pássaros no Brasil; nas províncias do Sul eles são chamados de sabiás. Os brasileiros não são insensíveis aos encantos do sabiá, que é considerado a sua melhor ave canora; [...]. Em várias ocasiões encontrei ninhos de caraxué; é feito de gravetos e capim seco, forrado de barro; os ovos são coloridos e pintalgados como os do nosso melro, mas de tamanho muito menor.[...]". Henry Walter Bates (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979, p. 107.
 
 
 
Caraxué(Sabiá)  - Cutipuruí - Vô-Vô - Peruinha-do-campo.
Ilustração de Ernst Lohse (1873-1930). Álbum da Aves Amazônicas. 1900-1906.


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