terça-feira, 19 de novembro de 2013

Viajantes: Beija-flores em redor das flores suspensas no Rio Solimões.


"[...]. Quando despertei na manhã seguinte, estávamos subindo pela margem esquerda do Solimões por espia. Era então a estação chuvosa na região por onde corre o grande rio. Os bancos de areia e todas as terras baixas já estavam debaixo d´água, e a poderosa corrente, duas ou três milhas de largura, arrastava contínua fila de árvores arrancadas e ilhotas de plantas flutuantes. A paisagem era das mais melancólicas; o único som que se ouvia era o murmúrio surdo das águas. A margem ao longo da qual viajamos o dia todo, estava atravancada, a cada passo, por árvores caídas, algumas das quais tremiam nas correntes que cercavam alguns pontos mais salientes. Nossa velha peste a mutuca, começou a atormentar-nos logo que o sol esquentou. Viam-se bandos de garças brancas a beira d´água, e em alguns lugares os beija-flores se espanejavam em redor das flores suspensas. O desolado aspecto da paisagem aumentou depois do por do sol, quando a lua apareceu, mergulhada em névoas. Henry Walter Bates (1825-1892). O naturalista no Rio Amazonas. 1944, v. 2, p. 149.
 
 
Ramos de orquídeas e beija-flores.
Pintura de Martin Johnson Heade.
 

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