domingo, 10 de novembro de 2013

Reflexões: SONETO XXVIII.


 
SONETO XXVIII
 
 
Minhas cartas! Todas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
da vida eis que retomo hora por hora.

Nesta queria ver-me era no estio
Como amiga a seu lado... Nesta implora
Vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.

Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertara
Ao meu peito que todo inda estremece!

Mas uma... Ó meu amor, o que me disse
Não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o que então me disseste eu repetisse...
 
Elizabeth Barrett Browning (1806-1861)
algumapoesia.com.br
    In
Sonnets from the Portuguese
   
1850

•  Tradução: Manuel Bandeira
    In
Estrela da Vida Inteira
   
Record, Rio de Janeiro, 1998
 
 
 

Leitura da carta. Pintura de  Peter Kraemer

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