quarta-feira, 1 de junho de 2016

Selva exuberante


"Teria tido uma impressão muito mais intensa e profunda dessa selva exuberante se o tempo me houvesse permitido estuda-la mais demoradamente, mas a atenção que era obrigado a prestar ao meu animal de montaria distraía-me do espetáculo da natureza. O solo era juncado de raízes e de restos de troncos, que o machado dos viajantes anteriores deixara ao desbravar o caminho acidentado. Os tocos que emergiam do solo eram mais perigosos ainda pois os animais nem sempre os notam, podendo tropeçar e machucarem-se seriamente na queda. Assim, tendo de dobrar os cuidados, eu não podia contemplar à vontade a interessante paisagem, e por isso não posso descrevê-la em seus pormenores. Guardo apenas a impressão causada por tão luxuriante conjunto de vegetação, bem como a de algumas formas ou espécies até então novas para mim. Entre estas últimas, chamou-me a atenção uma palmeira (Astrocaryum jauary) de tronco nodoso, que parecia formado de faixas, ora mais largas, ora mais estreitas. [...]". Hermann Burmeister (1807-1892). Viagem ao Brasil. 1952, p. 148-149.
 
 
Astrocaryum jauari e Leopoldinia pulchra.
C. Fr. von Martius (1794-1868).  Historia Naturalis Palmarum  (1823-1850)

 


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