sábado, 11 de junho de 2016

A vistosa flor-da-paixão



"Via de regra, as orquídeas não são tão abundantes nas florestas do interior como nas mais próximas do mar, onde pendem das árvores com tufos de rosas e perpétuas. Os ramos superiores das árvores são mais ricos em Cactáceas pendentes e, embaixo, sustentam os fios da bizarra e grisalha barba-de-pau ou Tillandsia. Mais abaixo, ainda florescem guirlandas e festões de Aráceas, Marantáceas e tinhorões, com suculentas folhas cordiformes, verde-escuras. Notável é uma bromeliácea com um cálice vermelho coral e os pontos das folhas passando da cor de chama para o azul arroxeado. Há ramalhetes de flores vermelhas, amarelas e alaranjadas, em espigas e umbelas, ora com o lírio, ora fazendo lembrar o jacinto, apertam-se umas contra as outras e, algumas vezes, uma espécie enraizará em outra espécie diferente. As trepadeiras são bauínias lenhosas, paulínias e banistérias, misturadas com convolvulos e ipoméias cobertas de flores azuis, muito parecidas com o nosso convôvulo comum; a baunilha, cujas vagens aqui alimentam ratos; a granadilha, cheia de "maçãs", e uma variedade da esquisita e vistosa flor-da-paixão. Muitas delas, Ampeliáeas, Aristoloquiáceas, Malpiguiáceas e outras, são famílias que pertencem a este Novo Mundo, ou nele se desenvolveram melhor, e cada uma delas dividida em muitas espécies. [...]". Richard Burton (1821-1890). Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. 1976 p. 252.
 
 
 
Maracujá e sua flor-da-paixão
Ilustração de J. Th Descourtilz


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