quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Papagaio-verdadeiro


"[...]. Os tupis chamavam a esse papagaio, Aiuru ou Ajuru e Ajuru-etê e estimavam-no como o mais dócil e mais domesticável.
Também é chamado Ajuru-curuca, ou melhor aiuru-curuca. Curuca quer dizer resmungador. Coroca terá origem em curuca? Velha coroca não será velha remungadora?
Entre nós pode ser considerado o mais vulgar e eloquente dos palradores. Seus talentos oratórios são incontestáveis. Sabe tudo que lhe ensinam, canta, assobia, ralha, pilheria e descompõe.
Não sei a razão por que também recebem o nome de papagaio-grego.
[...]. Durante o período de nidificação, de outubro a março, anda sempre o casal idilicamente juntinho. No ninho, feito segundo a norma geral da família, no oco de um tronco encontram-se dois ovos brancos, que medem 37x28mm. [...].
Uma vez terminada a incubação, reúnem-se as famílias em grandes bandos em procura das fruteiras silvestres. Quando descobrem uma roça de milho, então é um regabofe. Abatem sobre ela muito caladinhos e só se ouve o "trac-trac" das mandíbulas.
À tarde, após as excursões, volta o bando gárrulo ao pouso escolhido e, antes de se acomodarem, disputam os papagaios entre si os melhores sítios, surgindo altercações, roucas imprecações e beliscadas de arrancar penas.
Quando tudo já parece que serenou, rebenta nova discussão entre vizinhos mal acomodados e, de novo, o bando todo protesta contra o distúrbio e novamente o berreiro se alastra pela floresta.
Adensa-se o crepúsculo, as sombras da noite descem e então reina o silêncio no bivaque dos papagaios...". Eurico Santos (1883-1968) . Da ema ao beija-flor. 1979, p. 236.
 
 
Papagaio-Verdadeiro (Amazona aestiva)
Desenho de Antônio Martins
Brasil 500 pássaros. 2000


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