quinta-feira, 23 de junho de 2016

Belas aves


"[...]. O silêncio que reina nessas solidões, é interrompido pelo canto forte das araras vermelhas, do surucuá (Trogon) e outras aves. Nessas paragens, onde o amigo e pesquisador da natureza é solicitado a cada passo por coisas interessantes e novas, éramos obrigados a parar por muito tempo e penetrar no âmago das matas em perseguição de animais que até aí não havíamos tido ocasião de ver.  Muitas belas aves nos alegraram, entre as quais era muito comum a rendeira de duas penas mais longas na cauda (Pipra caudata Lath.); encontramos também um novo "tangará" de cocoruto amarelo-vivo.
Depois de percorrer uma região que apresenta numerosas irregularidades de terreno, e que permite apenas um estreito caminho praticável a cavalo, chegamos ao vale de Jibóia, rodeado por todos os lados por altas florestas virgens. Aí é que se acham construídas as pequenas choças dos índios, [...]. Essas construções estavam cercadas por touceiras fechadas de bananeiras, por trás das quais as árvores gigantescas da floresta, cerradas umas contra as outras, se erguiam como colunas de um pórtico, entremeadas de uma multidão de plantas diversas, formando como que uma muralha. Do fundo dessas matas sombrias, ouvia-se sair frequentemente o agradável canto da chamada pelos portugueses pomba amargosa (Columba locutrix), de que já falei. Maximiliano, príncipe de Wied-Neuwied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 2. ed. 1958. p. 430.
 
 
Pombas
Álbum de Aves Amazônicas.
 IIustração de Ernst Lohse. (1873-1930)
 


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