As casas de campo na "Cidade do Pará"


"[...]. O mundo peculiar, que se inicia com o Pará e se alonga por toda a extensa rede fluvial que ali começa, quase na direção de todos os pontos cardiais, já foi descrito muitas vezes como de maravilhoso encanto. E oferece de fato tão variadas maravilhas, tal diversidade de belezas que aí especialmente o coração e o espírito se refazem por igual, como em qualquer parte do mundo.
Na verdade, o estado de primitividade da Natureza, mesmo nos arredores da cidade atingidos pela civilização avassaladora já recuou várias vezes, embora triunfando igualmente por toda parte sobre a arte e a cultura, ela tenha deixado seus soberbos representantes e plantado mesmo outros. [...]. As viçosas bananeiras ensombram lindas casas de campo; a Tacsonia maracuya, uma passiflora de frutos gigantescos, trepa de latada em latada e mostra por baixo do verde-escuro da folhagem sua esplêndida florescência. E mais, mangueiras, artocarpos e numerosas anonáceas, laranjeiras, cafeeiros e tudo o mais que  viçosa vegetação tropical pode apresentar; tudo isso se aglomera em redor das bonitas casas de campo, nas quais o paraense procura escapar à canícula tropical.
As casas de campo e a vegetação alcançam toda sua beleza, sobretudo nas proximidades da igreja de Nazaré. Uma pequena igreja com uma praça relvada, celebra todos os anos a grande festa comemorativa do milagroso salvamento dum naufrágio e das angústias da morte, realizado pela Mãe de Deus.
A cidade inteira acorre a essa festa e diverte-se, esvaindo-se em suor os europeus, sob o calor tropical. Aí vi as casas de campo de melhor gosto e reintegrei-me na mais perfeita cultura nórdica. [...]. Robert Avé-Lallemant (1812-1884). No Rio Amazonas (1859). 1980, p. 30-31. 
 
 
 
Largo de Nazareth.
Pintura de Joseph Leon Righini (1820-1884)
 


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