terça-feira, 3 de janeiro de 2017

As pequenas Geonomas


"Entre as graciosas plantas da margem da lagoa merece também atenção especial a Mari-mari, qualidade de Cassia, cujas belas e longas vagens são apreciadas pelos índios como um grande petisco.
Nas calmas enseadas, enfim, sobrenadam, grandes como outras tantas barquinhas e da forma de bandejas, as folhas da soberba  Victoria régia, a rainha sem rival de toda a flora aquática. Petulantes golfinhos brincam em cardumes no meio do lago. [...].
Lá onde não chegam as inundações periódicas, na chamada terra firme, a vegetação já assume caráter diferente. O castanheiro (Bertholletia excelsa), nosso augusto conhecido das margens do Tocantins, aparece aqui outra vez em grandes bosques, ornado dos seus grandes e pesados cocos.
Aqui também é que se encontra a verdadeira riqueza de madeiras de construção, cuja enumeração encheria um volume.
A seringueira, que aqui já não prospera, é representada pela maçaranduba, que além do seu leite de valor industrial fornece frutos saborosos. A variedade de palmeiras é grande, se bem que não tanto talvez como no Amazonas inferior. Nos altos barrancos das margens ostentam-se grupos da elegante palmeira Javari, de longe apreciável pela glauca de sua coma.
As Attaleas, entre elas o soberbo Ouassú, também se encontram na ourela do mato, e no sombrio santuário da floresta são espécies de pequenas Geonomas que ocupam vastas extensões; entre estes sobressai pela originalidade a Paxiúba com o tronco fusiforme repousando num alto pedestal  de espinhosas raízes aéreas. Mas o mais perfeito tipo vegetal desta Zona florestal representa incontestavelmente a chamada banana  brava ou pacova sororoca (Urania amazônica) talvez a mais bela de todas as musáceas". Dr. Paulo Ehrenreich (1855-1914). Viagem nos rios Amazonas  e Purus. Revista do Museu Paulista, t. 16, p. 305, 1929.
 
 
Geonoma spixiana.
C. Fr. von Martius. Historia Naturalis Palmarum 1823-1850.


Nenhum comentário:

Postar um comentário