sexta-feira, 25 de março de 2016

Palmeiras Paxiúbas


"Com a entrada neste grande rio, toda a vegetação mudou como por magia. A mais bela floresta virgem, que nos mostrava ao mesmo tempo tudo o que é grandioso e tudo o que é encantador que tínhamos visto nas florestas do Brasil, subia pela margem do rio como se quisesse tornar-nos a despedida mais penosa no último momento ou enfeitiçar-nos com o desdobramento na tranquila magia de suas sombras, de todos os encantos da natureza tropical. Majestosos troncos colossais com leves tetos de copas, impenetráveis maranhas de lianas quais paredes semeadas de lindas flores e entremeadas de todas as espécies de palmeiras imagináveis cada uma procurando exceder a outra em beleza e graça, acompanhavam a margem esquerda por onde agora seguíamos.
E como sabiam as palmeiras agruparem-se pitorescamente em volta das numerosas e umbrosas inflexões da floresta, como nichos, destes santuários escondidos nos quais os raios do sol da tarde quase que não podem penetrar, enquanto aqui e ali, uma audaz passiúba (paxiúba) com as leves raízes adventícias rodeadas de um montículo de plantas aquáticas verdes, elevava-se atrevida e alegre sobre um pedaço de terra separado da margem 7 a 15 metros, como sobre uma ilhota, e como se quisesse assim ser admirada por todos os lados. Aliás, as encantadoras e graciosas passiúbas pareciam ser entre todas as espécies de palmeiras as que predominavam aqui, depois delas, porém, a najá e a bacaba, ao passo que a miriti só raramente se mostrava". Príncipe Adalberto da Prússia (1811-1873). Brasil: Amazônia-Xingu. 2002, p. 371.
 
 
Palmeiras Paxiúbas
Socratea philonotia & Iriartella spruceana.
J. Barbosa Rodrigues (1842-1909).  Sertum Palmarum Brasiliensium, 1903.


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