segunda-feira, 7 de março de 2016

Lindas florestas de palmeiras


"[...]. A viagem de hoje mostra uma mudança no caráter da floresta, pois não apenas a maior parte da vegetação é composta de uma grande variedade de palmeiras, mas a disposição geral é muito diferente de qualquer das florestas do alto do rio. A vegetação rasteira é densa, mas acima dela não há um dossel escuro de folhas suspensas em colunatas de troncos altos, pois, aqui nestas florestas de palmeiras, as árvores e palmeiras mais altas formam grupos, ou erguem-se isoladas e separadas do grupo seguinte, ou da próxima árvore ou palmeira isolada, por um intervalo de vegetação mais mirrada. Cada um desses agrupamentos é imensamente diferente um do outro, e cada poucas jardas apresentam uma mudança variegada na composição e arranjo das plantas. Por exemplo, entre arbustos forrados de parasitas em flor, uma palmeira marajá levanta sua imensa fronde como um volante gigantesco, ou uma palmeira bacaba surge envelopada nas voltas serpeantes de um imenso cipó que, junto à copa emplumada de seu sustentáculo, ramifica-se nos galhos de uma grande árvore, que irá fatalmente espremer e destruir a palmeira, e depois assumir a aparência de um imenso saca-rolhas. Em seguida, vem uma clareira repleta de bambus nanicos, palmeiras inajá em plumas e "cana-braba" (cana-de-açúcar-silvestre), misturada com arbustos espinhentos e plantas parasitas, todos brilhando e cintilando à luz do sol. Agora uma enorme samaúma ergue seu enorme tronco abaulado muito acima de seus vizinhos mais baixos, suavizando as cores destes com a sombra profunda de sua vasta folhagem. O próximo é talvez um grupo de mais palmeiras altas, todas entrançadas com parasitas pendentes ou cipós em flor festonados, de cores brilhantes e vívidas, e assim poderíamos continuar e encher páginas com a descrição destas lindas florestas de palmeiras onde a vegetação  é tão variada. À claridade forte do meio-dia vêm-se alternadamente massas largas de folhagem brilhando ao sol, e sombras suaves projetadas sobre a verdura mais baixa pelos galhos espalhados de imensas árvores umbráticas". James W. Wells (1841-?). Explorando e viajando três mil milhas através do Brasil: do Rio de Janeiro ao Maranhão. 1995, v. 2, p. 215.
 
 
Bactris maraja Mart.
D´Orbigny, A. D. Voyage dans l´Amérique Méridionale. 1847.


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