sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Um suave crepúsculo tropical


"Quando as sombras da noite se aproximam, a paisagem próxima à fazendinha torna-se esplendidamente suave e encantadora. Em torno de nós, e estendendo-se das bordas do rio encrespado até bem distante, há uma larga extensão de campo verde-vivo, pontilhado aqui e ali com laguinhos brilhantes, alguns cercados por numerosas plantas aquáticas em flor, outros por bosquetes de árvores imponentes e delicadas palmeiras; outras moitas cercadas de flores formam grupos isolados na planície aberta ou, nas margens do rio, espelham suas formas nas mornas águas que refletem o sol e formam com sua folhagem um rendilhado contra o céu claro e sem nuvens, azul escuro a leste, cinza-pérola a oeste; grandes sombras movem-se suavemente através do gramado e tons quentes  e das águas cintilantes, pássaros gorjeiam seu "boa noite", ou gritos ríspidos soam nos lagos, quando alguma ave aquática se ergue em voo pesado e toma o caminho de casa; uma brisa gentil de doce perfume balança e faz farfalhar as folhas das palmeiras, cujas palmas brunidas reluzem e rebrilham com cintilações de diamantes aos últimos raios dourados do dia que parte. Que cores havia! E como é vão tentar comunicá-las por meio de palavras àqueles que não tiveram o privilégio de presenciar as delicadas nuances opalinas de um suave crepúsculo tropical". James W. Wells (1841-?). Explorando e viajando três mil milhas através do Brasil: do Rio de Janeiro ao Maranhão. 1995, v. 2, p. 67.
 
 
Palmeiras ao entardecer
 Johann Moritz Rugendas  (1802 - 1858)


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