sábado, 27 de fevereiro de 2016

Um buritizal


"A medida que prosseguíamos por aquele terreno arenoso, sentíamos o sol cada vez mais causticante e opressivo. A água da cabaça já fora inteiramente consumida e não sabíamos onde encontrar mais. Nossos índios disseram que havia uma nascente mais adiante, na meia encosta, mas que talvez estivesse sem água, visto estarmos no auge da estação seca. A informação deu-nos um novo alento e fez-nos caminhar mais rapidamente em busca do local, até que o alcançamos. A esperança aumentou quando avistamos ali onde diziam estar a fonte, um buritizal  (os buritis sempre nascem em lugares úmidos) e algumas manchas de relva bem verdinha. Dirigimo-nos então para o buritizal. As palmeiras cresciam, de fato, num terreno encharcado, quase pantanoso. A água escorria por entre a relva num filete tão insignificante que levamos quase meia hora para encher a cabaça. Vendo um adensamento das relvas num certo ponto pouco acima de onde nos encontrávamos, dirigimo-nos para lá, presumindo que se tratasse da mina propriamente dita. Ali descobrimos, para nossa grande satisfação, um filete de água cristalina e deliciosamente fresca, além de uma gostosa sombra onde pudemos repousar e lanchar confortavelmente. [...]". Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 100.
 
 
Miriti ou buriti (Mauritia flexuosa, Linn.)
Alfred Russel Wallace. Palm trees of the Amazon and their uses. 1853.




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