domingo, 14 de fevereiro de 2016

Um quadro sedutor


"Aqui e acolá, apoiando-se nos ramos de alguma árvore, uma gramínea arborescente projetava-se ousadamente no espaço vazio atravessando a distância que se separava do suporte semelhante, situado na margem oposta do regato, e balouçando na atmosfera úmida os festões graciosos e longos; depois, como se esse quadro já não fosse bastante sedutor, sobre aquela ponte frágil que a mais leve aragem fazia mover-se, cresciam duas ou três Billbergia, que embora se mantivessem a custo em tão estreito sustentáculo, desabrochavam suas lindas corolas escarlates. Não me animei a romper esse harmonioso conjunto. Outras bromeliáceas maiores seguravam-se às reentrâncias mais insignificantes das velhas árvores, enquanto noutros troncos seculares, já sem vida, e caídos às vezes de través entre dois rochedos, medravam os fetos e viçavam as orquídeas, infelizmente destituídas de flores nesta estação. Dos flancos destes rochedos pendiam muitas belas espécies de Peperomia, os caules cilíndricos e articulados de uma cactácea do gênero Rhipsalis e as longas frondes estreitas de um gracioso Nephrodium. Detiveram-me ainda outras inúmeras riquezas, passando eu todo o dia a vagar por entre essas cenas inebriantes". François Castelnau (1810-1880). Expedição às regiões centrais da América do Sul. 1949, v. 1, p. 55.
 
 
 
Billbergia zebrina. Ilustração de Marianne North (1830-1890).
BANDEIRA, Júlio. A viagem ao Brasil de Marianne North - 1872-1873. 2012.


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