domingo, 7 de fevereiro de 2016

O dia de um naturalista na Amazônia


"[...]. Levantávamos às seis e ficávamos arrumando as caixas e redes de insetos, enquanto a velha cozinheira preparava o café da manhã, que era servido às sete. Terminado o café, dávamos dinheiro a ela para que providenciasse as compras do almoço, e saíamos às oito para um bom local de coleta que tínhamos descoberto, situado a cerca de umas três milhas da cidade. Ali ficávamos à espreita dos insetos até por volta das duas ou três horas. O lugar era frequentado pela belíssima Callithea sapphira, uma das mais delicadas de todas as borboletas, e pelas diminutas, curiosas e brilhantes Erycinidae. Quando regressávamos, parávamos no Tapajós para tomar um banho, depois do que seguíamos para casa. Ali chegando, sempre havia uma deliciosa e refrescante melancia à nossa espera. Trocávamos de roupa, comíamos e ficávamos atarefados com os insetos até a tardinha. Aí, quando o tempo refrescava, tomávamos chá e íamos visitar ou receber visitas de nossos amigos brasileiros e ingleses. Entre estes, contávamos agora também com Mr. Spruce, o botânico, que aqui chegara proveniente da cidade do Pará pouco antes de regressarmos de Monte Alegre". Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 103.


Callithea sapphira.
www.metmuseum.org
 
 

 
 
 


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