quinta-feira, 18 de junho de 2015

Uma magnífica manga rosa em Belém do Pará


"A primeira vez que estive em Belém, as mangas em geral estavam ainda verdes, mas já havia algumas temporãs. Destas, havia uma, em árvore que ficava mesmo em frente à janela do meu quarto no primeiro andar do Grande Hotel. Durante uns dez dias, acompanhei cobiçoso o crescimento e maturação da magnífica manga rosa. Uma tarde, depois do jantar, fui com os da minha roda, veteranos viajantes, para o largo passeio, onde havia, e ainda há, mesinhas de ferro e cadeiras, para que se pudesse admirar o "footing" das garbosas morenas belenenses, enquanto se degustava sorvetes e refrescos.
Nossa mesa ficava exatamente junto da referida árvore, e poucos momentos depois de nos assentarmos tombou a manga. De um salto, como se me arreceasse de que outrem a disputasse, apanhei-a exibindo triunfante o perfumado e colorido fruto. Os colegas ficaram vexados com meu proceder, pois todas as atenções se voltaram para mim, e em surdina, aconselhavam-me a deita-la fora, asseverando estar eu a fazer um papelão, ao apanhar fruta da rua...Fiz "ouvidos de mercador", mandei vir um prato, garfo e faca, e deliciei-me com ela. Nunca comi tão gostosa manga!" Francisco de Barros Junior (1883-1969). Caçando e pescando por todo o Brasil. 4a. série. s.d. p. 102-103.




Manga (Mangifera indica).
Chromolithograph from Etienne Denisse (1814-1845)
www.pinterest.com
 

 

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