sábado, 6 de junho de 2015

A Palmeira Pupunha


"Viam-se também novas espécies de palmeiras, a pupunha (Guilielma speciosa), cujos frutos eu já comera em Cametá. O tronco redondo e esguio é provido de anéis de espinhos, a intervalos mais ou menos regulares, mas em muito menor quantidade do que as citadas astrocárias. Sob o farto e belo penacho de folhas, que acenam, pende um grande cacho de frutos amarelo-avermelhados. Os frutos ovais são do tamanho duma ameixa regular; mais adiante, brilha o belo colorido da pequena maçã dourada, [...].
O que mais interessa nesses belos frutos da pupunha muito mais conhecida sob o nome espanhol de palmeira pirijau, é o singular abortar de seus caroços. Acontece à maioria deles o mesmo que à banana, não formam caroço, e, sim, massa farinácea inteiramente homogênea. São por isso cozidos  em água, constituindo um excelente alimento Provei-os pela primeira vez em Cametá, em casa do Sr. La Roque, que possuía uma bela pirijau no seu jardim; souberam-me exatamente como as nossas verdadeiras castanhas. A pele sendo de consistência meio coriácea, são fáceis de pilar.
Por isso plantam a popular pupunha perto das habitações e protegem-na contra o corte. Sua madeira é muito semelhante à da palmeira javari; é dura, preta, com desenhos lineares amarelos intermitentes, dum belo efeito quando polida". Robert Avé-Lallemant (1812-1884). Viagem pelo norte do Brasil no ano de 1859. 1961, p. 93-94.
 
 
 
 
Pupunha (Guilielma speciosa)
C. Fr. von Martius. Historia Naturalis Palmarum 1823-1850.


Um comentário:

  1. Interessante. No registro caprichoso da paisagem até as gravuras rupestres foram bem detalhadas. Seria possível descobrir a região representada na ilustração?

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