quinta-feira, 10 de abril de 2014

Reflexões: Trabalhos de Amor Perdidos


Mas o amor, primeiro aprendido  em uns olhos de mulher,
Não vive sozinho fechado na cabeça,
Mas, com a agilidade de todos os elementos,
Corre com a rapidez de nossos pensamentos
E dá a cada faculdade dupla potência,
Acima de suas funções e seus ofícios.
Acrescenta preciosa visão aos olhos;
Os olhos de um amante veem mais longe que uma águia;
Os ouvidos de um amante ouvem o mais tênue som,
Que passa despercebido ao ladrão cauteloso:
O tato do amor é mais fino e sensível
Que as sensitivas antenas do caracol;
Ao paladar do amor desagradam os petiscos vulgares de Baco.
Pela coragem, não é amor um Hércules
Ainda galgando as árvores nas Hespérides?
Sutil como a Esfinge; doce e musical
Como o alaúde do brilhante Apolo,
Encordoado com seus cabelos;
E quando o Amor fala, a voz de todos os deuses
Deixa os céus estonteantes com a harmonia.
Nunca deve o poeta tocar uma pena para escrever
Até que sua tinta seja temperada pelos suspiros do Amor.
 
 
William Shakespeare (1564-1616)
Trabalhos de Amor Perdidos
 A Linguagem das Flores. 1989
 
 
 
Pintura de
Frederick Leighton (1830-1896)


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