terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Viajantes: A solidão profunda e acentuada na floresta.


"Bem lá no alto, acima das águas translúcidas do rio, as grandes árvores da floresta dos dois lados misturam seu delicado traçado de galho e folhagem em longas alamedas de sombra suave, aqui em massas de verdura escura, ali em manchas de esmeralda claro, ou com aberturas para o céu azul que enviam feixes de raios brilhantes de sol sobre as águas sombreadas e murmurantes, como chapas de ouro e prata reluzentes. Grandes cipós e trepadeiras pendem dos galhos, alguns como cabos de navio em linhas retas, a balançar suavemente com os sopros de ar que passam, outros em grandes festões, alguns nus como uma corda, outros cobertos de folhas, flores e parasitas. Palmeiras, samambaias e bambus projetam sua folhagem emplumada a partir dos altos das margens e formam os lados desta colunata de floresta. O solo vermelho das margens altas é atapetado de massas de convolvuláceas rasteiras, maracujás, e diversas variedades de samambaias e arões. A solidão é  profunda e acentuada, imperturbada pelo murmulho da água sobre seu leito pedregoso, pelo pulo de um peixe, ou pelo voo célere de um martim-pescador verde-bronze, parecendo, ao atravessar um feixe de sol, brilhar como uma esmeralda. James W. Wells [1841-?]. Explorando e viajando três mil milhas através do Brasil: do Rio de Janeiro ao Maranhão. 1995. v.1, p. 257.
 
 
 
Floresta brasileira.
C. Fr. von Martius (1794-1868).
Historia naturalis palmarum. 1823-1850.

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