As belas "canindés" amarelo-azul-claro


"Pela madrugada, o bugio enche a selva com seus estertores enquanto as "araras-guaçus" de azul intenso e as belas "canindés" amarelas-azul-claro, saúdam estridentemente o nascer do Sol, voando aos pares. Manadas de macacos, como acrobatas prodigiosos, vão de galho em galho, de árvore em árvore, curiosos, devassando, esmiuçando tudo. A jaguatirica manhosa e paciente já está à espera para abocanhar o imprevidente quadrumano. 
Pendente das pontas dos "sarans" e das goiabeiras bravas, o camaleão espreita. Horrível, mas inofensivo, miniatura de seus antepassados diluvianos, provoca asco e temor. Suspenso como fruta, cai, de súbito, vítima, também ele, do imprevisto, dentro dos batelões ou das canoas que margeiam o rio na subida.
O "socó-boi" imita o mugido da vaca e os olhos do viajor procuram, instintivamente, a rez tresmalhada movido pela surpresa de um encontro fora do comum. Mergulhões lindíssimos ficam em equilíbrio sobre os paus que afloram das águas: "martins-pescadores" inquirem o rio, prontos ao mergulho sempre coroado de sucesso; deselegantes jaburús, de cabeça preta, colarinho rubro e penas brancas, passeiam graves e lentos, como professores de filosofia, espelhando 0 alto e desengonçado porte no limiar das praias. Bandos enormes de urubus escurecem o astro-rei voando unidos para plagas distantes. casais de inhumas gritam, despeitados, empolando os largos peitos. Milhares de borboletas esvoaçam pelos ares e, com elas, passarinhos de encantadoras plumagens. [...]". Willy Aureli (1898-1968). Roncador. [1943?]. p. 78-79.


Araras.
J. Th. Descourtilz. Ornithologie brésilienne, ou, Histoire des oiseaux du Brésil - remarquables par leur plumage, leur chant ou leurs habitudes. [1854-1856]

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