domingo, 8 de julho de 2018

Uma sinfonia natural


"A tarde some-se nas sombras noturnas do crepúsculo, silenciosamente, e uma nuvem perturbadora de mistério e de tranquilidade se alonga com tristeza por cima das águas do Paracauari. Só um barulho se escuta, e é música... O passaredo, na mata, canta em coro, e aquilo é a única festa de alegria daqueles ermos... Nunca se ouviu no mundo sinfonia mais natural, nem mais bonita!
Nuvens brancas, e nuvens azuis, e nuvens rubras, e nuvens escuras toldam o céu... Uma pura maravilha de colorido ornamental! São as garças reais, as garças morenas, as garças azuis, são as garças brancas, são as colhereiras, e os socós-bois e os arapapás, são as gaivotas e as ciganas, e os guarás, e as marrecas, e os quirirus, e os maguaris, lindamente, em revoada, que esvoejam pela mata, decorando a paisagem, enchendo o céu de cor e de ritmo...". Peregrino Junior (1898-1983). A mata submersa e outras histórias da Amazônia. 1960. p. 207.



Colhereiro (Platalea ajaja)
J. T. Descourtilz (1796-1855). Oiseaux brillans du Brésil. 1834.
www.biodiversitylibrary.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário