domingo, 6 de setembro de 2015

Minha viagem pela floresta amazônica


"À medida que prosseguíamos, a floresta de árvores enormes, com raízes que desciam ao longo dos troncos reforçando sua estrutura, tornava-se mais densa e a luminosidade, mais fraca. Foi na suave luz esverdeada que vi uma colônia de Rapateceae, plantas aquáticas exóticas. De suas grandes folhas com o centro rosa choque surgiam talos delgados coroados por duas brácteas triangulares cor-de-rosa, dentre as quais conjuntos de pétala amarelo-claras surgiam dos cálices vinhos-escuros.  As pétalas eram tão delicadas que quase flutuavam pelo ar e não resistiriam à nossa viagem, por isso decidi deixa-las para a volta. Em pouco tempo estávamos longe, penetrando em uma floresta tão escura e ressonante quanto uma catedral.
Subitamente entramos em uma floresta de caatinga verde brilhante. As árvores, que já não eram tão impressionantes e grandiosas, estavam ornamentadas com epífitas que pendiam de seus troncos estriados sobre as raízes arqueadas pelo chão coberto de samambaias. Ao deixarmos essa floresta, adentramos mais uma vez na selva sombria, realçada apenas pela cor ametista das flores de Heterostemon ellipticus que cresciam no alto das copas. Margaret Mee (1909-1988). Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010, p. 36.
 
 
 
Heterostemon sp. (Leguminosae)
Margaret Mee. In search of flowers of the Amazon Forests. 1989.


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