sábado, 12 de setembro de 2015

As palmeiras das matas do Amazonas


"[...]". Nesse meio tempo fazíamos passeios quase diários pelas matas das redondezas. Toda a superfície das terras, até a beira d´água, é coberta por uma uniforme e ondulante floresta verde-escuro, a caá-apoam (mata convexa) dos índios, que é característica do Rio Negro. Essa mata cobre também as extensas áreas de terras baixas, que são alagadas pelo rio na estação das chuvas. A água parece tirar sua tonalidade castanho-oliva da folhagem verde-escuro com que fica saturada durante as enchentes anuais. O grande contraste de forma e cor existente entre as florestas do Rio Negro e do Amazonas decorre das diferentes famílias de plantas que predominam em cada uma delas. Nas matas deste último, palmeiras de vinte ou trinta espécies diferentes compõem o grosso da vegetação, ao passo que no rio Negro elas têm um papel inteiramente secundário. A espécie típica dessa região é o Jará (Leopoldinia pulchra), que não é encontrada nas margens do Amazonas; seu leque de folhas é pequeno, com folíolo finos e do mesmo tom verde-escuro do resto da floresta. A haste dessa palmeira é lisa e mede cerca de cinco centímetros de diâmetro, não indo sua  altura além de quatro ou cinco metros; ela não se eleva, por conseguinte, acima da copa das árvores exógenas, o que a impede de ressaltar na paisagem como a murumuru e a urucuri de folhas largas, a esguia açaí, a alta jauari e a miriti de folhas em leque, encontradas nas margens do Amazonas. Henry Walter Bates (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979, p 135.
 
 
 
Astrocaryum jauari e leopoldinia pulchra.
C. Fr. von Martius. Historia Naturalis Palmarum. 1823-1850.


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