sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cordas vegetais


"[...]. A maioria das árvores é notavelmente vertical, e de grande altura algumas delas; são ornadas de alto a baixo, de esplêndidas flores e lindas parasitas, enquanto que o tronco e os galhos são quase todos entrelaçados de inúmeras lianas e trepadeiras.
Essas plantas formam um aspecto singular nas mais férteis regiões do Brasil. Mas, nas margens do Amazonas, é que elas se mostram com o máximo de seu vigor e fecundidade.
Enroscam-se em volta das árvores, trepando nelas até o alto, depois crescem para baixo até o solo, e, constituindo raízes, sobem de novo e cruzam-se de galho em galho e de árvore em árvore, onde quer que o vento lance as suas pontas recurvadas, até que toda floresta se encha de suas guirlandas pendentes.
Essas cordas vegetais apresentam-se algumas vezes tão estreitamente entrelaçadas, que dão a aparência de uma rede, que nem as aves nem os animais podem facilmente romper. Alguns galhos são da grossura do braço de um homem; são redondos ou quadrados, e, às vezes triangulares ou mesmo pentagulares.
Crescem em forma de nós ou em espirais, ou, para ser mais verdadeiro, acompanhando todas as possíveis contorções em que se possam dobrar.
Parti-los é impossível. Algumas vezes, matam a árvore que os suporta, e outras vezes, ficam pendentes, de pé, como uma coluna torsa, depois de terem estrangulado o tronco, esmagando-o dentro de suas dobras. Os macacos gostam de dar suas cambalhotas, nessas redes primitivas, mas atualmente rareiam muito nas vizinhanças do Pará. Uma vez ou outra seus guinchos são ouvidos à distância, de mistura com o estridente pio das aves; mas, em geral, domina um profundo silêncio aumentando a grandiosa majestade natural dessas florestas." Daniel P. Kidder (1815-1891); J. C. Fletcher [?]. O Brasil e os brasileiros. 1941, v. 2, p. 313-314.
 
 
Árvore com cipós
Parque Zoobotânico do Museu Goeldi - Belém-PA
Fotografia de Olímpia Reis Resque


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