segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Viajantes: A estranha e linda mariposa Urania leilus.


"Chegamos ao sítio de nossa caçada por volta das quatro e meia. O canal era mais largo e apresentava várias ramificações. Faltava ainda hora e meia para o amanhecer e Raimundo aconselhou-me que cochilasse um pouco. Deitamos os dois nos bancos da canoa e adormecemos, deixando o bote vogando ao sabor da maré, então em calmaria. Dormi bem, apesar da dureza do leito, e quando despertei, no meio de um sonho com imagens da pátria, rompia a madrugada. Minha roupa estava úmida de orvalho. As aves agitavam-se, as cigarras começavam a sua música e a Urania leilus, estranha e linda mariposa de asas com um prolongamento caudal e de variegadas cores, de hábito semelhante aos das borboletas, começava a esvoaçar em bandos na copa das árvores. Raimundo exclamou: "Clareia o dia"!" A mudança foi rápida. O céu, para o nascente, tomou de súbito o mais formoso azul, no qual se destacavam estreitas faixas de alvas nuvens. Em tais momentos a gente sente como é realmente formosa a terra. O canal, em cujas águas flutuava nosso pequeno bote, tinha cerca de duzentas jardas de largura. Outros ramificavam-se à direita e à esquerda, recortando o grupo de graciosas ilhas que formam a terra de Carnapijó. Por toda parte a floresta formava ininterrupto caixilho: embaixo era a franja dos mangues, cuja folhagem miúda contrastava com as frondes em leque ou em pluma das palmeiras." Henry Walter Bates (1825-1892). O naturalista no Rio Amazonas. 1944. v. 1, p. 230-231.
 
 
 

Urania leilus.
 Ilustração de Maria Sybilla Merian  (1647-1717).
  Insects of Surinam.


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