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O açaí como planta medicinal

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                     [...]. A folha é o órgão vegetal mais utilizado no    preparo do produto medicinal, seguindo-se a raiz, a batata e o látex do caule. A aplicação dos produtos medicinais é principalmente interna (60%) contra 40% de uso externo. A interna é mais usada na forma de chás e sumos, enquanto a aplicação externa se dá como banhos, colocação do produto (sumo, folhas, etc. sobre o local afetado ou como inalação.              Algumas palmeiras, em escala menor, são também utilizadas na medicina caseira. O chá da raiz do açaí é considerado bom para reumatismo. As folhas jovens são usadas para cicatrização de ferimentos. Elas são batidas e espremidas dentro de um pedaço de pano, para extração do sumo, o qual é colocado diretamente sobre as feridas. O chá de pupunha ( Bactris gasipaes Kunth) é bom para dor de barriga. FONTE: LISBOA, Pedro L. B. Natureza, homem e manejo de...

Vocabulário Ilustrado da Amazônia: Os paneiros de açaí

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          [...]. São vistos, pela manhã, paneiros e mais paneiros de açaí nas docas do Ver-o-Peso, na doca Souza Franco, no Igarapé das Almas, no Porto do Sal. O açaí: fruto pequenino como bola-de-gude, cor violáceo-escura. Milhares de carocinhos em cada paneiro, adquiridos bem cedo, para serem "amassados" antes do meio dia, a tempo de estar o açaí no almoço ou na merenda.              "Amassar" é um termo que vai perdendo o uso com a introdução de máquinas elétricas, substituindo o trabalho manual. "Amassar" porque os frutozinhos, depois de amolecidos  na água quente, são postos em alguidar e friccionados com as mãos. Isto faz desprender a polpa dos caroços em forma de uma pasta rubra, a qual se adiciona água até atingir a consistência desejável.           O ofício de "amassadeira" é tipicamente feminino. As máquinas elétricas de um tempo para cá vêm tornando-o cada dias mais raro n...

Uma deslumbrante visão

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          [...]. Uma das mais deslumbrantes visões que tive foi a ostentada por uma Bignoniacea que se destacava no meio de uma clareira resultante do corte de algumas árvores da floresta. Embora serrada perto da base, ela não tinha caído, ficando suspensa entre duas árvores mais altas, sustentada por cipós. As duas árvores que a sustentavam estavam separadas umas 40 jardas [36, 5 m] entre si, e os cipós que seguravam a Bignoniaceae formavam uma graciosa corrente toda enfeitada com flores cor-de-rosa semelhantes às da dedaleira, sendo esse arranjo floral complementado por grandes folhas geminadas de coloração verde-escura puxada a púrpura.  FONTE: SPRUCE, Richard. Notas de um botânico na Amazônia . Belo Horizonte: Itatiaia, 2006. p. 55. Bignonia binata. The Garden . 1886.  www.plantillustrations.org

As grandes borboletas azuis

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          [.. .]. Na manhã seguinte, prosseguimos pelo igarapé acima até que deixamos para trás a última casa. Daí em diante seria  a selvagem, indomada e desabitada floresta virgem. O igarapé era estreito e meândrico. Sua correnteza era muito forte, especialmente nas curvas. O leito estava em muitos pontos obstruído por árvores e arbustos caídos. Como as galharias das árvores quase se encontravam por cima das águas, todo o igarapé parecia sombrio e silencioso a mais não poder.         Num ambiente assim tão lúgubre, só muito raramente avistávamos alguma flor. Víamos ocasionalmente, adejando sobre as águas ou pousadas numa folha, as grandes borboletas do gênero Morphos . De vez em quando passava por nós, voando velozmente, um numeroso bando de arirambas-verdes. FONTE: WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelos rios Amazonas e  Negro . Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 1979. p. 87. (Reconqui...

Multidões de garças

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               [...]. Já de longe avistamos multidões de  garças de toda a espécie nas extremidades dos galhos por cima das largas copas das árvores, e quanto mais perto chegamos, maior número vemos de ninhos chatos, grandes como rodas de carros, e que aparecem como manchas escuras por entre a ramagem rala do mato.                  Em cada árvore contamos dúzia deles.         O barulho torna-se cada vez mais ensurdecedor: ao penetrar na floresta julga a gente ter caído em um bródio de bruxaria.             Garças brancas, grandes e pequenas, garças morenas, arapapás, maguaris, colhereiros, cauauans, guarás, mergulhões grandes, cararás, tudo ali vive em confusão, na mais variada promiscuidade, ao lado e por cima uns dos outros, na mesma árvore, na qual muitas vezes em uma só há diversas colônias de ninhos de meia dúzia de espécies...

Acampamento noturno na selva tropical

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          A natureza que aqui nos falava com sua total grandeza, imensa e invencível, de repente, majestosamente, nos mandou parar. Estávamos diante de uma massa rochosa que se erguia verticalmente para o alto. Era um único bloco gigantesco, de umas centenas de metros de altura. Já estava anoitecendo.              Descemos e acampamo-nos junto do Tuisíca - Igarapé, que estava rumorejando, no meio da selva tropical. Estávamos sujos e molhados. E também as redes e os cobertores estavam pesados, de tão úmidos que estavam. Muitos mosquitos, grandes e pequenos, e a desagradável mudança da temperatura noturna que sentíamos dentro das nossas coisas molhadas não permitiam repousar melhor.           Estávamos deitados debaixo de um grupo de "paxiúbas-barrigudas", assim denominadas por causa de um engrossamento do tronco, uma certa altura acima do chão. Estas palmeiras não prestam para construção d...

Sapopema

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          Erguia-se agora , à margem do "varador", alta gruta de raízes, que uma só árvore lançava. Templo imaginário de povo que inspirasse a sua estética arquitetônica em esquisitos monumentos orientais, oferecia a quem nele se recolhesse postigos inumeráveis, portas de linhas irregulares e salas onde seis homens podiam   estender a toalha e almoçar, ou puxar de cartas para o jogo que ludibriasse a horas em longos dias de chuva!           -É uma sapopema - explicou Firmino, vendo Alberto a observar o raizedo enorme, que se espalmava em lâminas, grossas como paredes, e se retorcia também, decorativamente, em cordame manuelino. -  Se um dia você se perder, bata neste pau, que logo algum seringueiro lhe responde.             Tirando da bainha o seu facão o mulato deu com ele algumas pancadas no monstro vegetal. O som repartiu-se nas galerias interiores e em eco surdo, foi traspassando...