terça-feira, 1 de novembro de 2016

A vegetação da Hiléia Equatorial


"Um passeio de bote pelo mato inundado oferece as mais maravilhosas impressões deste mundo a parte. Aqui desenrola-se em prodigiosa grandeza e luxuria a vegetação da Hiléia equatorial, cada vez mais nova, singular e deslumbrante aos olhos do europeu.
Depois que o bote abre caminho por entre maciços de uma cana aquática e de Caladium (vulgo tinhorão), que de envolta com espinhosas mimosáceas guarnecem as margens, espera-nos a surpresa de não achar no mato que fica atrás nem um palmo de terreno enxuto. Árvores, trepadeiras e água a perder de vista. O mato rasteiro aqui não tem espessura, a profunda sombra das grandes árvores lhe tolhe o crescimento; tanto mais numerosos e possantes são os cipós que a guisa de grandes correntes prendem as árvores uma a outra, e as compridas raízes aéreas que, como  fortíssimas cordas, pendem dos potos abaixo, embaraçando continuamente as manobras do bote. [...]". Paulo Ehrenreich (1855-1914). Viagem nos rios Amazonas e Purus. Revista do Museu Paulista, São Paulo, t. 16 p. 301-302, 1929.
 
 
 
Caladium bicolor (Aiton) Vent. var. verschaffelti
Curtis’s Botanical Magazine, (1861)


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