segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Uma vegetação luxuriante!


"Entre as trepadeiras, é muito interessante a Bauhinia, cujos fortes caules lenhosos crescem sempre em arcos de círculos alternados; a concavidade de cada arco é como que artificialmente escavada pelo cinzel curvo de um escultor, e no lado oposto convexo há um espinho curto e rombo. Essa planta original, que facilmente se confunde com uma obra de arte trepa ao topo das mais altas árvores. A folha é pequena e bilobada; mas nunca vi a flor, se bem que seja a planta bastante comum. O aroma desprendido por muitas dessas trepadeiras é forte e variável: o "cipó cravo" tem cheiro muito agradável semelhante ao do cravo: outras, ao contrário como observou La Condamine, viajando pelo rio Amazonas, cheiram a alho. Muitas dão longos ramos para baixo, que se enraízam; o que estorva o caminho do viajante, obrigando-o a cortá-los com o "facão" antes de poder prosseguir. Há galhos pendurados que, quando agita o vento, dão, frequentemente, rudes pancadas na cabeça do transeunte. Em geral, o vegetal é tão luxuriante nesses climas, que vemos em cada velha árvore um verdadeiro jardim botânico, muitas vezes difícil de atingir, e formado de plantas certamente na maior parte desconhecidas". Maximilian zu Wied Neuwied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 1954, p. 62.
 
 
Tronco de árvore com flores.
Ilustração de W. H. Fitch (1817-1892).


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