domingo, 1 de novembro de 2015

Uma Clusia rosa e branca


"Outra planta que então se tornara muito abundante era uma Clusia rosa e branca, de grandes folhas brilhantes e flores que exalavam um aroma forte e penetrante. Conquanto possa desenvolver-se independentemente, tornando-se uma árvore de alto porte, ela geralmente cresce como parasita, apoiando-se em outras árvores da floresta. Seus grandes frutos redondos e esbranquiçados são chamados de cebola-braba pelos naturais, sendo muito apreciados pelos pássaros, que provavelmente depositam suas sementes nas altas forquilhas das árvores. Ali, aproveitando matéria orgânica decomposta, fezes de aves, etc. ela rapidamente desenvolve suas raízes, até atingir um tamanho tal que necessite um maior volume de nutrientes do que aquele de que dispõe. Quando isso acontece, essa planta emite longos rebentos que chegam até ao solo. Esses também lançam raízes e acabam por desenvolver um longo caule. Em Nazaré há uma árvore, à beira da estrada, numa forquilha da qual cresce uma enorme palmeira mucajá sobre a qual desenvolveram-se três ou quatro jovens Clusias. Estas, por sua vez, certamente devem abrigar numerosas orquídeas e fetos!
Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 36.
 
 
Clusia nemorosa.
Ilustração de Margaret Mee (1909-1988).
Flores da floresta amazônica. 2. ed.  2010.

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