sábado, 24 de outubro de 2015

Um pequeno e agradável córrego


"A pouca distância da casa do dono da fazenda, um pequeno córrego se precipitava ao alto das pedras, entre moitas cerradas de Heliconia, cocos e outras belas plantas, correndo para o rio. Havia nesse sítio uma sombra muito fresca e agradável, onde aparecia em abundância um mimoso passarinho que, a qualquer hora do dia, fazia ouvir um canto breve, porém bastante agradável. Já em Belmonte, havia eu encontrado esse cantor dos bosques ermos e sombrios, entre os rochedos banhados pela água, ao longo dos córregos, mas nesse local, era visto com mais frequência. Aí descobri o seu ninho, construído num buraco à margem do rio, embaixo de tufos de palmeiras novas. Grande número de outras aves animavam as vizinhanças da fazenda, sendo  particularmente abundantes os araçaris [...], num jenipapeiro próximo, coberto também de belas flores brancas e de frutos. Outras grandes árvores estavam tão carregadas de ninhos de japuís (Cassicus persicus), que se via um deles suspenso em cada ponta de galho. Esses pássaros faziam ouvir sem cessar o seu grito áspero, e mostravam, como os nossos estorninhos, o seu talento singular para imitar o canto de todas as aves que se acham então nas vizinhanças. A sua plumagem negra e amarela, bem marcada, é magnífica, sobretudo quando ele abre a cauda, e sobe voando até o ninho, que parece uma bolsa". Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 2. ed. 1958, p. 348-349.
 
 
Barco num rio da floresta virgem.  Viagem ao Brasil do Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied.
Biblioteca Brasiliana da Robert Bosch GmbH. 2001.


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