domingo, 4 de outubro de 2015

Pequenos bosques de palmeiras


"Até aqui não tínhamos encontrado nenhuma palmeira nestas florestas; hoje, ao contrário, apareciam em grande número, contudo só nas margens dos riachos e sobretudo em trechos pantanosos nas seladas do terreno, que, como as colinas, aumentando em altura cada vez mais íngremes, chamavam mais a atenção do que ontem. Num destes pequenos bosques descansamos alguns minutos; diante de nós corria um claro riacho murmurante, e a um lado ficava um pequeno rancho com um leve telhado ensombrado pelas altas  coroas de esguias palmeiras, por entre as quais se divisava o céu azul escuro, no qual, muito alto  no zênite, o sol mandava para baixo seus poderosos raios, tão quentes, tão abrasadores como se quisesse fazer-nos esquecer, toda a chuva da noite anterior! Imaginai a par disto, caro leitor, a satisfação com que engolimos algumas amêndoas de cacau da árvore sacudida, algumas castanhas-do-maranhão e um punhado de farinha que o padre levava embrulhado no seu lenço de rapé; imaginai também a avidez com que sorvemos a água fresca do riacho, e tereis um quadro deste curto descanso e dos simples gozos com que nos deliciávamos e nos refazíamos para novos esforços." Príncipe Adalberto da Prússia (1811-1873). Brasil: Amazonas-Xingu. Brasília, 2002, p. 269.
 
 
 
C. Fr. von Martius (1794-1868)
Historia Naturalis Palmarum (1823-1850)
www.biodiversitylibrary.org


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