domingo, 1 de março de 2015

O Horto Botânico do Museu Paraense


 

Foi em junho que aportou o Dr. Jacques Huber, chefe da seção botânica e só depois de prévia instalação dele é que se pôde iniciar o serviço relativo a este anexo. Entretanto, há sempre um cometimento mais saliente a mencionar: a construção de um lago artificial, bastante grande, aterrado sobre o nível do jardim e destinado a receber, ao lado de outros vegetais aquáticos, principalmente a fenomenal Victória régia, planta amazônica admirável, única mesmo pelas dimensões das suas folhas e o tamanho das suas flores, que igualam em diâmetro uma roda de carroça.

Deu-se a este lago a forma de Mar Negro, na Rússia meridional, havendo necessidade de escolher uma forma que oferecesse largura e espaço suficiente.

Empatando o constante trânsito de carroças com materiais para o dito lago o espaço, que desde o princípio ficou destinado para o Horto Botânico, isto é, a metade oriental dos terrenos da frente, somente agora chegou o momento e a ocasião de elaborar-se um plano para mais canteiros novos e uma definitiva jardinagem.

Se a estação chuvosa não nos contrapor um veto, esperamos que nos próximos meses haverá também bastantes inovações e melhoramentos a encontrar neste futuroso anexo, que agora está nas condições de receber vegetais notáveis da flora amazônica e que se recomenda à mesma benévola simpatia do público, de que goza o anexo-irmão. Trouxemos bastantes mudas e sementes de plantas interessantes de nossa recente expedição à Guiana Brasileira e encetamos umas tentativas para obtermos plantas ornamentais e medicinais da flora indígena, à qual, de certo, não faltam elementos que estejam nas condições.

O meu colega, chefe da seção botânica, lamenta, entretanto as parcas dimensões do anexo e deseja intensamente o alargamento futuro. Alega que, por exemplo, uma coleção de palmeiras amazônicas, por si só já precisaria de mais espaço, que o total hoje disponível para o horto. Para onde ir com os sortimentos de plantas de outras famílias?

Realmente revela-se logo aos olhos do visitante, que este anexo acha-se em condições de espaço insuficientes: Se há uma seção do Museu, onde o alargamento, mediante aquisição dos terrenos adjacentes é de palpitante necessidade, certamente é o Horto Botânico, que se acha neste caso.

 

Dr. Emílio A. Goeldi (1859-1917)

Trecho do Relatório de 1895 apresentado pelo Director do Museu Paraense ao Sr. Dr. Lauro Sodré Governador do Estado do Pará.

Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e Ethnographia, Belém, t. 2, p. 10-11, 1898.

 Parque Zoobotânico do Museu Paraense em  1900.
Fotografia: Arquivo Guilherme de La Penha - MPEG

Parque Zoobotânico do Museu Paraense -
 Lago das Victorias-Régias e Castelinho em 1902.
Fotografia: Arquivo Guilherme de La Penha-MPEG


 
 
 


2 comentários:

  1. É sempre muito muito vir aqui, prezada Olímpia. Um abraço, Maria Tereza.

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  2. Obrigada Maria Tereza pela visita ao meu blog. Abraços, Olímpia

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