segunda-feira, 9 de junho de 2014

Viajantes: A "Flor-do-Luar" no Rio Negro.


"[...]. Entramos no igapó utilizando a canoa menor, que se inclinava sem estabilidade à medida que forçávamos nosso caminho pelos arbustos espinhosos e ásperos, para depois deslizarmos suavemente por entre as árvores. Para meu entusiasmo, de uma grande árvore pendiam cordões de folhas esmaecidas do cactos com três enormes botões de flor. A planta estava solta, um pouco acima da água, presa por uma trepadeira. Deve ter caído e o próximo vento provavelmente a sopraria rio abaixo. Por esse motivo, decidi leva-la para plantá-la em um igapó próximo de casa, onde eu poderia observar o seu desenvolvimento. Mais alto em uma árvore, entre as inúmeras folhas, havia outros botões de flores do cactos, que sem dúvida produziria sementes para germinar no igapó.
Mais acima, em uma região aberta no igapó, um grupo de folhas coloridas de cactos brilhava em uma grande árvore. Como estava escurecendo, resolvi retornar no outro dia. Na tarde seguinte, observei que havia muitas epífitas nas árvores, incluindo uma Gerneriad que encobria parcialmente o cactos. Fiz desenhos coloridos até o anoitecer, tendo a certeza de que os botões de flor se abririam em breve.
Ao permanecer imóvel, com o escuro contorno da floresta ao meu redor, me senti enfeitiçada. nesse momento, a primeira pétala começou a se mover, e outra após outra, enquanto a flor rompia para a vida. Abria-se muito rapidamente. Continuamos assistindo, com a fraca iluminação de uma tocha e com a luz da lua cheia que subia pela orla escurecida da floresta. Nos primeiros estágios, a flor exalou um perfume extraordinário doce e ficamos todos fascinados com sua beleza e delicadeza. Para nossa surpresa ela ficou enorme e totalmente aberta em uma hora." Margaret Mee (1909-1988). Flores da Floresta Amazônica. 2010, p. 162.
 
 
(Selenicereus wittii).
 Ilustração de Margaret Mee (1909-1988)
 Flores da Floresta Amazônica. 2. ed.  São Paulo, 2010.


2 comentários:

  1. Linda descrição. Muito romântica.

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  2. Obrigada pelo comentário, Leila. Realmente os textos de Margaret Mee são poéticos e românticos. Bjos.

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