sábado, 16 de junho de 2018

Um forte temporal


"Passamos esta noite por um grande susto. Já estávamos deitados quando se desencadeou forte temporal, com trovões reboantes e largas lufadas de vento. O nosso primeiro pensamento foi para a canoa, amarrada à beira do rio. E se viéssemos a perde-la? Às pressas, saltei da rede e munido da lâmpada de mão, na companhia do Vicente, joguei-me barranca abaixo. Felizmente, lá estava o nosso barquinho, mas, por precaução reforçamos-lhe o cabo, prendendo-o bem ao tronco de um araçazeiro.
Enquanto isso, o Sampaio providenciava para recolher as nossas redes, pois dormíamos ao relento e a chuva já começava. Como àquela hora e entre tanta treva, não era possível pensar em armar qualquer abrigo, metemo-nos todos sob o toldo, que protegia a bagagem, e a maior parte da noite passamos assim, deitados sobre o chão e encolhidos entre sacos, latas e panelas isso serviu-nos de lição e hoje deliberamos que, daqui  por diante, mesmo que o tempo esteja firme, nunca mais deixaremos de ter preparado algum refúgio, quando não o toldo grande, ao menos a barraquinha da botânica". Gastão Cruls (1888-1959). A Amazônia que eu vi. 4. ed. ilust. 1954, p. 244.



Acampamento na floresta
Alcide D’Orbigny (1802-1857). Viagem pitoresca através do Brasil. 1976.
 


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