quinta-feira, 7 de junho de 2018

A floresta e suas plantas aéreas


"O aspecto mais surpreendente da floresta é, talvez, representado pelas plantas epífiticas, aéreas e parasitas. O fraco envolve o forte, dos pés à cabeça, em eriçadas massas ascensionais e o esconde em pilares de verdura, semelhantes aos ciprestes. Mesmo os mortos são abraçados pelos vivos que os galgam, agarram, abraçam, sufocam e sobem até o alto, para cultuar de mais perto possível o Sol e o Éter. Todo tronco alto, magro, cadavérico, esbranquiçado com a idade e chorando tristemente suas glórias passadas, é cingido e coberto de folhas, abafado e coroado com uma planta estranha, que suga, como vampiro, sua seiva, até que essa se misture com a sua. As menores fendas ou irregularidades no tronco ou as axilas das folhas são imediatamente aproveitadas pelo estranho, que vive à custa da árvore e assiste à sua morte. Cada ramo nu é ocupado por linhas de flores vistosas e folhas viçosas de brilho metálico. Assim, cada venerando ancião da floresta  virgem é convertido em uma estufa, um jardim botânico, um pequeno mundo, contando com uma grande variedade de gêneros e espécies, admiráveis na diversidade do aspecto, e vestidas de centenas de cores - e, em verdade, pode-se dizer que, aqui, um simples tronco apresenta formas mais variadas que uma floresta na Europa". Richard Burton (1821-1890). Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. 1976. p. 251-252.


Martin Johnson Heade (1819-1904)
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