domingo, 17 de dezembro de 2017

Uma viagem iluminada pela lua



"[...]. Deslizamos pela sinuosa corrente abaixo, passando sob enormes árvores curvadas sobre a água, e logo desembocamos no Murucupi. Poucos metros adiante, entramos no Aitituba, um canal mais largo. Atravessamos esse canal e entramos em outro estreito braço de rio, no lado oposto. Ali a maré estava contra nós e tivemos muita dificuldade em prosseguir a viagem. Depois de lutarmos contra a forte corrente numa extensão de três quilômetros, chegamos a um lugar onde a maré tinha mudado de direção, o que indicava que havíamos atravessado a linha divisória das águas. A maré flui para dentro desse canal vindo das duas extremidades simultaneamente, encontrando-se no seu centro, embora não haja aparentemente, diferença de nível e a largura do canal seja a mesma. As marés são extremamente complexas em toda a vasta rede de canais e riachos que cortam as terras do delta amazônico. A lua apareceu nesse momento e iluminou os troncos das gigantescas árvores e a ramagem da colossal palmeira jupati, que se curvava em arcos sobre a água, clareando também as moitas de Arum arborescens, semelhantes a espectros perfilados nas margens. [...]".  Henry Walter Bates  (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. 1979. p. 85-86.


Arum. 
 Trew, C. J. ; Ehret, G. D. Plantae selectae quarum imagines ad exemplaria naturalia Londinei, in hortis curiosorum nutrita. 1750-1773. 
www.biodiversitylibrary.org


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