quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A palmeira jacitara e seus espinhos



"Os verdadeiros cipós, cujo tronco principal tem o mesmo crescimento exagerado que nos arbustos-cipós se observa só em certos galhos, influem mais na fisionomia da vegetação litoral dos furos que estes. São principalmente as Passifloraceas e as Bignoniaceas [...], que envolvem os troncos e descem em elegantes festões das copas de árvores altas, produzindo aqui e acolá aquelas cortinas  de verdura matizadas de flores brancas, roxas ou cor de rosa que tanto impressionam o viajante. Munido com gavinhas, como estes cipós, encontramos ainda o Cissus sicyoides L. que entre todos os seus congêneres tem a particularidade de poder desenvolver raízes aéreas que, tais como fios suspensos, descem verticalmente dos galhos mais altos.
Um dos cipós mais vistosos dos furos, notável pelos seus cachos compridos de flores escarlates, trepadas nas árvores mais altas, sem ter órgãos especiais para se agarrar nas outras plantas. [...]. Como se vê, os cipós pertencem às famílias mais diversas, com adaptações múltiplas ao seu modo de vida. Mesmo da família das palmeiras, encontram-se, nas beiras dos furos, alguns cipós, pertencentes ao gênero Desmoncus e chamados vulgarmente jacitara. Estas palmeiras agarram-se nas árvores pelos espinhos que cobrem os caules e pelos folíolos distantes das folhas compridas, que são transformados em uma espécie de ganchos. [...]". Jacques Huber (1867-1914). Contribuições à geographia physica dos furos de Breves e da parte occidental de Marajó. Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e Ehnographia (Museu Goeldi), Belém, t. 3, fasc. 1-4, p. 488-489, 1902. 

Desmoncus orthacanthos
J. Barbosa Rodrigues. Serum palmarum brasiliensium, v. 2, t. 54, 1903.
www.plantillustrations.org

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